O Futuro Informa o Presente
Juliana Crepalde prestígio (1)
Avaliação por modelos + Supervisão Editorial.
Aceite provisório
Registro já válido e público — número, score e prova congelados. Em revisão complementar do comitê; um endosso o torna definitivo, e o número não muda.
Rede de Colabs transforma pesquisa dispersa em IA em uma estrutura nacional financiada por recursos privados e conectada a centros internacionais.
Resumo executivo
O Instituto Kunumi é uma Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT) privada, sem fins lucrativos, criada em 2025 com a missão de fortalecer a capacidade brasileira de produzir conhecimento e desenvolver tecnologias de fronteira em inteligência artificial. A partir da experiência de colaboração construída pela Kunumi com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Instituto estruturou a Rede de Colabs: uma rede de pesquisa, desenvolvimento e inovação integralmente financiada com recursos privados, que articula universidades, centros de pesquisa, empresas, startups e pesquisadores no Brasil e no exterior.
Em pouco mais de um ano, a iniciativa consolidou uma rede com 25 laboratórios — 20 no Brasil e cinco no exterior —, presente em 14 instituições, 13 municípios e nove estados brasileiros. Os laboratórios nacionais mobilizam mais de 300 participantes e contam com mais de 250 bolsas apoiadas pelo Instituto. Considerando a Rede e a equipe interna, o ecossistema reúne mais de 350 pesquisadores, organizados em 14 linhas estratégicas de inteligência artificial. Até agosto de 2026, foram comprometidos aproximadamente R$ 60,9 milhões com a Rede, dos quais R$ 45,7 milhões, correspondentes a 75,1% dos recursos, foram destinados aos laboratórios nacionais.
A Rede combina liberdade científica, financiamento de longo prazo, formação de talentos, infraestrutura, governança jurídica, gestão da propriedade intelectual e conexão com ambientes reais de aplicação. Entre os projetos estruturantes desenvolvidos estão iniciativas voltadas a hardware fotônico-digital para inteligência artificial, novos métodos para eficiência energética de grandes modelos de linguagem, modelos fundacionais para dados relacionais e experiências que integram ciência, tecnologia, arte e design. Esses projetos são realizados em colaboração com instituições como Harvard, MIT, Stanford, Universidade de Coimbra e International Iberian Nanotechnology Laboratory (INL), além de ICTs e startups brasileiras.
O modelo já apresenta resultados concretos na transformação de pesquisa em inovação. O portfólio do Instituto reúne 22 marcas, sete registros de programas de computador e sete registros de know-how, além de três softwares em cotitularidade com ICTs parceiras. O pipeline de proteção patentária contempla dez tecnologias em preparação ou em fase de redação, das quais seis são desenvolvidas em colaboração com instituições científicas brasileiras ou internacionais. Paralelamente, soluções de inteligência artificial produzidas pelo Instituto já são aplicadas em ambiente empresarial real, em áreas como crédito, atendimento ao cliente e análise de risco.
A iniciativa apresenta aderência direta ao tema do MIT-ANPEI Brazil Summit 2026 — “Cooperar para competir em um mundo fragmentado” — ao demonstrar como a articulação entre academia, empresas, startups, ICTs e centros internacionais pode ampliar a capacidade competitiva brasileira em uma tecnologia estratégica. Também converge com as prioridades do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e da Nova Indústria Brasil, especialmente na formação e retenção de talentos, no fortalecimento da infraestrutura científica, no desenvolvimento de tecnologias nacionais e na transformação digital.
O principal resultado da Rede de Colabs é a criação de capacidade permanente de pesquisa e inovação em inteligência artificial. Ao transformar competências dispersas em um ecossistema coordenado, financiado e orientado à geração, proteção, transferência e aplicação do conhecimento, o Instituto Kunumi contribui para que o Brasil participe da construção das tecnologias que definirão o futuro, fortalecendo sua autonomia científica, econômica e tecnológica.
Paper completo
Entre para baixar o PDF registradoSetembro.2026
Instituto Kunumi & Rede de Colabs MIT-ANPEI Brazil Summit 2026
O FUTURO INFORMA
O PRESENTE
BRASIL, 2026
1. APRESENTAÇÃO DO CASE
1.1. Contextualização
A história do Instituto Kunumi nasce com a criação da empresa Kunumi, uma spin-off da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), fundada em 2016 com a participação de pesquisadores do Departamento de Ciência da Computação (DCC) em sua composição societária. O vínculo entre a Universidade e Empresa se aprofundou por meio de uma colaboração contínua com o Departamento de Ciência da Computação (DCC) da UFMG que culminou na constituição do Laboratório de Inteligência Artificial (LIA) em 2017, que previa a pesquisa científica e tecnológica multidisciplinar, com foco no desenvolvimento de Inteligência Artificial de maneira ampla e estruturante.
A partir do LIA, formaram-se diversos alunos de graduação e pós-graduação, consolidando um ambiente fértil de aprendizado, excelência acadêmica e inovação aplicada. Essa trajetória resultou na publicação de mais de 120 artigos científicos em coautoria entre pesquisadores da Kunumi e da UFMG, além da geração de relevantes ativos de Propriedade Intelectual, alguns deles posteriormente licenciados pela Universidade para a Kunumi. Para viabilizar o licenciamento das tecnologias desenvolvidas no LIA, a Kunumi e a UFMG firmaram um arranjo jurídico ainda inédito no Brasil, no qual a Universidade passou a integrar o quadro societário da empresa. Nesse modelo inovador, a UFMG participou como usufrutuária de ações, como forma de remuneração pelo aporte de tecnologias na Kunumi.
O arranjo firmado com a UFMG é um dos muitos exemplos que demonstram a vocação da Kunumi em contribuir para a geração de conhecimento científico e tecnológico, em uma relação próxima com universidades.
Como empresa privada, a Kunumi atuou na área de consultoria e serviços especializados em Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina, atendendo empresas parceiras, dentro e fora do Brasil nos setores de Saúde, Serviços Financeiros, Educação, Saneamento, Logística, Varejo e Indústria, dentre outros. Em sua atuação, aportou conhecimento no estado da arte a seus mais de 20 clientes. É importante destacar que a empresa continuamente dedicou suas margens de resultados financeiros a seu esforço de avanço da pesquisa brasileira, em especial na UFMG (LIA).
Em 2024, a empresa Kunumi passou a integrar o Grupo Bradesco, com 100% de aquisição pelo Grupo, marcando um novo capítulo em sua trajetória de crescimento e impacto. Na esteira desse movimento, em abril de 2025, foi constituído o Instituto Kunumi, que é uma 2/20
Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT) de natureza privada, nos termos da Lei no 10.973/2004 (Lei de Inovação) e do Decreto no 9.283/2018, constituída na forma de uma associação privada sem fins lucrativos. O Instituto tem como associados fundadores a Kunumi LTDA. e a Kunumi S/A, e atualmente como associados mantenedores o Bradesco S/A, a Bradesco Holding Investments (BHI).
O Instituto Kunumi é uma Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT) de natureza privada, criada com a missão de avançar no conhecimento científico e tecnológico no Brasil e globalmente em inteligência artificial e temas correlatos, contribuindo para que o país esteja conectado e atue como proponente na fronteira tecnológica. O Instituto parte da premissa de que a inteligência artificial não é apenas uma questão tecnológica, mas também social, ética e cultural. Nesse contexto, sua atuação se apoia na valorização e na articulação das competências científicas e tecnológicas já existentes no país, conectando excelência acadêmica, capacidade empresarial e visão de futuro.
1.2. A Rede de Colabs – Rede de inovação aberta em IA
É a partir dessa trajetória e com o propósito de ampliar o modelo de colaboração construído inicialmente com a UFMG que o Instituto Kunumi estrutura a Rede de Colabs, uma rede de pesquisa, desenvolvimento e inovação constituída e 100% (cem por cento) financiada pelo Instituto Kunumi para conectar universidades, centros de pesquisa, empresas, startups e pesquisadores em torno da produção de conhecimento e do desenvolvimento de tecnologias de fronteira em inteligência artificial e temas correlatos. A iniciativa amplia, em escala nacional e internacional, o modelo de inovação aberta e cooperação construído originalmente entre a Kunumi e a UFMG.
A Rede parte do reconhecimento de que o Brasil já possui pesquisadores, grupos de pesquisa e instituições acadêmicas de excelência, mas que essas competências frequentemente se encontram dispersas e submetidas a limitações de financiamento, infraestrutura, continuidade institucional e conexão com ambientes capazes de transformar pesquisa em inovação. Sua proposta é articular essas capacidades, criando condições para que pesquisadores e instituições atuem de forma colaborativa, compartilhem conhecimentos e infraestrutura e desenvolvam projetos de alcance científico, tecnológico e estratégico.
3/20
Em vez de operar segundo uma lógica de encomenda tecnológica, baseada exclusivamente em escopos fechados e entregas previamente determinadas, a Rede de Colabs valoriza a liberdade científica e a autonomia dos pesquisadores na definição de seus temas e problemas de pesquisa. O Instituto Kunumi identifica e apoia grupos de excelência, estabelece relações institucionais de longo prazo e oferece condições para que o conhecimento seja produzido de forma contínua, permitindo que os resultados científicos e tecnológicos se desenvolvam e encontrem diferentes possibilidades de aplicação.
Mais do que estabelecer parcerias, o Instituto Kunumi atua também como plataforma de sustentação e financiamento integral da Rede de Colabs, garantindo condições para que a colaboração produza frutos como geração de conhecimento, forme talentos e desenvolva tecnologias para o Brasil avançar no tema de IA. O Instituto Kunumi já comprometeu cerca de mais de R$60 milhões em recursos próprios para estruturar a rede, incluindo infraestrutura de pesquisa, bolsas para formação de recursos humanos (graduandos, mestres e doutores), suporte a publicações científicas e participação em eventos. Em complemento, está em curso a estruturação de uma infraestrutura computacional de alto desempenho com acesso multiusuário e compartilhado, na ordem de [cerca de R$10 milhões], elevando a capacidade de pesquisa dos laboratórios parceiros em escala nacional.
O Instituto Kunumi atua, portanto, como articulador e plataforma de sustentação da Rede.
Além do financiamento das atividades de pesquisa, oferece bolsas para estudantes de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado, apoia publicações científicas, participação em eventos e intercâmbios, investe em infraestrutura computacional e acompanha a estruturação e a execução das parcerias. O Instituto também mantém um Núcleo de Inovação Tecnológica — NIT, responsável por apoiar a gestão da propriedade intelectual, a proteção dos resultados e a construção dos caminhos para sua futura transferência e aplicação.
Com 20 acordos de parceria já firmados com universidades e centros de pesquisa brasileiros, além de parcerias internacionais como Harvard, MIT, Stanford, Universidade de Coimbra e Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia - INL, a Rede de Colabs representa um esforço estruturante para ampliar a geração de conhecimento em inteligência artificial no Brasil e está configurada da seguinte forma:
4/20
REDE NACIONAL: BRASIL (20 PROJETOS)
- Agentic AutoML - UFMG (MG, Belo Horizonte) - 26 pesquisadores
- Agentic RL for Urban Mobility - UFBA (BA, Salvador) - 4 pesquisadores
- Agents for the Social Good - UFCG (PB, Campina Grande) - 37 pesquisadores
- AI for Health and Smart Cities - UFPel (RS, Pelotas) - 9 pesquisadores
5. Cybersecurity - UFMG (MG, Belo Horizonte) - 21 pesquisadores
6. Digital Humans & Simulations - PUCRS (RS, Porto Alegre) - 15 pesquisadores
7. Efficient RL - UFRGS (RS, Porto Alegre) - 3 pesquisadores
- Explainable Multilingual Reasoning - UFF (RJ, Niterói) - 3 pesquisadores
- Foundation Models - UFMG (MG, Belo Horizonte) - 18 pesquisadores
- High-Performance Computing - UFMG (MG, Belo Horizonte) - 14 pesquisadores
- Knowledge Graphs for LLMs - Unicamp (SP, Campinas) - 21 pesquisadores
- Low-Resource Machine Learning - PUCRS (RS, Porto Alegre) - 25 pesquisadores
- New Generation of Data Engineering - UFAM (AM, Manaus) - 9 pesquisadores
- Quantum AI for Sciences - UFES (ES, Vitória) - 6 pesquisadores
- Quantum Computing & Cocoa - UESC (BA, Ilhéus) - 12 pesquisadores
- RL and Options Learning - Unisinos (RS, São Leopoldo) - 6 pesquisadores
- Scams and Social Engineering - UFMG (MG, Belo Horizonte) - 14 pesquisadores
5/20
- Small Language Models - UFC (CE, Fortaleza) - 39 pesquisadores
- Software & AI Engineering - PUC-Rio (RJ, Rio de Janeiro) - 28 pesquisadores
20. Synthetic Data - UFPE (PE, Recife) - 7 pesquisadores
REDE INTERNACIONAL: MUNDO (5 PROJETOS)
21. Critical Applications for AI - U. Coimbra (PT, Coimbra) - 2 pesquisadores
22. Design & AI - MIT (EUA, MA Boston) - 1 pesquisador
23. Energy & AI - Stanford (EUA, CA Palo Alto) - 1 pesquisador
24. Hardware & AI - INL/FabNS (PT, Braga) - 12 pesquisadores
25. Responsible AI - Harvard (EUA, MA Boston) - 1 pesquisador
INSTITUIÇÕES EM NEGOCIAÇÃO
● LNCC (RJ, Rio de Janeiro) ● IIT Bombay (India) ● Insper (SP, São Paulo) A Rede de Colabs Nacionais do Instituto Kunumi consolida uma presença robusta e capilarizada no território brasileiro, composta por 20 laboratórios ativos distribuídos por 14 instituições, em 13 municípios e 9 estados. Com uma base de mais de 300 participantes nas instituições nacionais, sendo mais de 250 bolsistas Kunumi, o ecossistema apresenta um perfil altamente qualificado, com forte predominância na área de Computação e uma formação acadêmica densa, que engloba estudantes de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado, refletindo o compromisso do Instituto com a excelência técnica e a formação de talentos na fronteira da inteligência artificial no Brasil.
6/20
VISÃO GERAL COLABS NACIONAIS
● Participantes: 343 ● Colabs Ativos: 19 ● Instituições: 14 ● Municípios: 13 ● Estados: 9
PAPÉIS NA REDE (TOTAL: 343 PARTICIPANTES)
● Estudantes: 272 ● Professores: 41 ● Coordenadores: 23 ● Gestores: 7
GÊNERO
● Masculino: 251 ● Feminino: 87 ● Outros (Não-binário / Agênero): 5 ● 7/20
ETNIA
● Branca: 239 ● Parda: 67 ● Outros (Preta / Amarela / Prefiro não informar): 37
ÁREA DE FORMAÇÃO
● Computação: 263 ● Sistemas: 26 ● Outros (Ciências Puras / Engenharias / Adm-Fin / Outros): 54
FORMAÇÃO EM ANDAMENTO
● Graduação: 145 (valor calculado com base no total subtraído das demais categorias) ● Mestrado: 76 ● Doutorado: 64 ● Pós-doc: 56 ● Outros: 2
DISTRIBUIÇÃO ETÁRIA
● 19-25 anos: 162 (valor calculado com base no total subtraído das demais categorias) ● 26-30 anos: 82 ● 31-35 anos: 29 ● 36-40 anos: 22 ● 41-45 anos: 22 ● 46-50 anos: 10 ● 51-55 anos: 10 ● 56-60 anos: 4 ● 61-65 anos: 1 ● < 18 anos: 1 As atividades estão organizadas em 14 linhas estratégicas de pesquisa, abrangendo diferentes dimensões da inteligência artificial, desde modelos fundacionais, agentes inteligentes e processamento de dados relacionais até privacidade, segurança, eficiência energética, computação quântica e novos paradigmas de hardware. Essa diversidade 8/20
permite que a Rede desenvolva tanto pesquisas fundamentais quanto tecnologias com potencial de aplicação em diferentes setores da economia e da sociedade.
A dimensão internacional complementa e fortalece o núcleo brasileiro da Rede. As colaborações com instituições como Harvard, MIT, Stanford e o International Iberian Nanotechnology Laboratory — INL conectam pesquisadores e laboratórios brasileiros a centros de excelência no exterior, promovendo a produção científica conjunta, o intercâmbio de pesquisadores e o acesso a competências e infraestruturas especializadas.
Essa internacionalização não se destina a deslocar para o exterior a produção de conhecimento, mas a ampliar a capacidade científica e tecnológica instalada no Brasil e a inserir pesquisadores e instituições brasileiras em projetos desenvolvidos na fronteira do conhecimento.
A participação de empresas e startups contribui, por sua vez, para aproximar a pesquisa científica dos desafios tecnológicos concretos e criar caminhos para que os resultados possam ser desenvolvidos, protegidos, testados e aplicados. Projetos como o desenvolvimento de um novo hardware para inteligência artificial, realizado em colaboração entre o Instituto Kunumi, a startup brasileira FabNS e o INL, demonstram como a Rede articula competências acadêmicas, científicas e empresariais em torno de desafios tecnológicos complexos.
Complementarmente à atuação em Rede, o Instituto Kunumi mantém uma frente própria de pesquisa e desenvolvimento, conduzida por sua equipe interna de pesquisadores. Essa equipe desenvolve pesquisas em inteligência artificial e áreas correlatas, explorando problemas científicos e tecnológicos de fronteira e transformando esse conhecimento em novas tecnologias e ativos de propriedade intelectual. Essa capacidade própria permite ao Instituto não apenas atuar como articulador e financiador da Rede de Colabs, mas também como agente ativo na produção de conhecimento, trabalhando de forma complementar aos grupos parceiros e criando oportunidades de intercâmbio de competências, desenvolvimento conjunto e aplicação dos resultados de pesquisa. Essa atuação já se reflete no pipeline de proteção patentária do Instituto, que inclui tecnologias originadas de sua própria atividade de pesquisa.
A combinação entre capacidade interna de pesquisa e uma ampla rede de parceiros reforça o caráter integrado do modelo. Mais do que um conjunto de acordos ou laboratórios 9/20
isolados, a Rede de Colabs constitui uma infraestrutura institucional de cooperação, que articula liberdade científica, investimento privado, formação de talentos, governança de longo prazo, colaboração nacional e internacional, gestão da propriedade intelectual e conexão com ambientes de aplicação.Por meio desse modelo, o Instituto Kunumi busca transformar competências científicas dispersas em uma capacidade coordenada de pesquisa e inovação, contribuindo para que o Brasil participe não apenas do uso da inteligência artificial, mas também da produção do conhecimento, das tecnologias e dos ativos estratégicos que orientarão o desenvolvimento dessa área.
1.3. Projetos Estruturantes de Fronteira
A partir da atuação de pesquisa do Instituto e da Rede de Colabs, emergem diversos projetos com potencial de impacto científico e estratégico. No contexto deste edital, o Instituto destaca como projetos estruturantes aqueles que se encontram na fronteira tecnológica e têm caráter amplo e fundacional, com potencial de criar bases reutilizáveis para diferentes setores, sejam empresariais, industriais ou públicos, e de fortalecer a soberania tecnológica nacional. O Instituto destaca os projetos:
● Hardware Quântico: desenvolvimento de chips fotônico-digitais customizados para redes neurais, em parceria com a spin-off da UFMG FabNS, que comercializa o nanoscópio Porto, e o International Iberian Nanotechnology Laboratory (INL), posicionando o Brasil na vanguarda da computação quântica voltada à inteligência artificial. Para além do avanço científico, o projeto busca criar caminhos para tornar a execução e a inferência de IA mais eficientes, reduzindo a dependência de custo de hardware e o consumo de energia — gargalos críticos para a expansão da IA no país.
● Kindred: Uma Exposição sobre a Natureza da Inteligência: desenvolvida em parceria entre o Instituto Kunumi e o MIT Design Intelligence Lab, a exposição investiga a inteligência como um fenômeno compartilhado entre organismos vivos, seres humanos e máquinas. Com uma abordagem multidisciplinar que integra ciência, tecnologia, arte e design, a mostra utiliza instalações físicas, projeções e experiências imersivas para explorar diferentes escalas da inteligência, da percepção, linguagem e inteligência coletiva, aproximando mecanismos biológicos e artificiais e convidando o público a repensar sua relação com a tecnologia e o planeta. Planejada para o primeiro semestre de 2027, a exposição encontra-se atualmente em fase de desenvolvimento curatorial e produção.
10/20
● IA Sustentável e Integrada à Rede Elétrica: desenvolvimento, em parceria com a Universidade Stanford, de novos métodos para compreender e otimizar o consumo energético associado ao treinamento e à inferência de grandes modelos de linguagem. No Brasil, a iniciativa contribui diretamente para a pauta de soberania energética ao criar condições para ampliar a capacidade nacional de desenvolvimento e operação de IA aproveitando as características da matriz elétrica brasileira, com maior previsibilidade, eficiência e autonomia, sem transformar o crescimento da demanda computacional em dependência externa ou pressão insustentável sobre o sistema elétrico.
● K-Space: focado na criação de um modelo fundacional capaz de aprender representações vetoriais reutilizáveis para grandes conjuntos de dados relacionais, acelerando o teste de hipóteses e reduzindo a dependência de algoritmos externos.
Bases relacionais estão por trás de grande parte dos problemas enfrentados por organizações públicas e privadas, conectando informações sobre pessoas, processos, produtos, serviços, operações e recursos. Apesar de sua centralidade, os avanços recentes em modelos fundacionais permanecem concentrados sobretudo em texto e imagem. O projeto busca preencher essa lacuna e ampliar significativamente o uso de IA sobre os dados estruturados que sustentam setores como indústria, saúde, energia, ciência e gestão pública.
Esses projetos buscam garantir a soberania tecnológica nacional com soluções concebidas, testadas e escaladas em território brasileiro.
1.4. Aplicação Prática de Resultados
A equipe de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) do Instituto já desenvolve e aplica soluções de inteligência artificial em ambiente real no Grupo Bradesco, abrangendo áreas como crédito, atendimento ao cliente e análise de risco, demonstrando a capacidade de transformar pesquisa em inovação aplicada. Algumas dessas iniciativas foram agraciadas com prêmios, como o prêmio The Banker , além de serem objeto de publicações científicas e de proteção de propriedade intelectual, reforçando o comprometimento do Instituto com a excelência, a inovação e a ciência.
1.5. Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia
11/20
A construção da soberania tecnológica nacional não depende apenas da capacidade de produzir conhecimento científico, mas também de assegurar que os resultados desse conhecimento possam ser apropriados, protegidos, desenvolvidos e explorados estrategicamente pelo país. Nesse contexto, a propriedade intelectual assume papel central: é por meio de sua adequada gestão que resultados de pesquisa podem ser transformados em ativos tecnológicos, preservando a capacidade das instituições brasileiras de participar das decisões sobre seu desenvolvimento, uso, transferência e exploração.
Essa perspectiva orienta tanto a atuação interna de pesquisa e desenvolvimento do Instituto Kunumi quanto às atividades realizadas no âmbito da Rede de Colabs. Ao combinar capacidade própria de pesquisa com uma rede que conecta universidades, centros de pesquisa e pesquisadores no Brasil e no exterior, o Instituto cria um ambiente favorável à polinização cruzada de conhecimento, no qual competências, métodos e aprendizados circulam entre sua equipe interna e os diferentes grupos parceiros. Essa interação amplia as possibilidades de colaboração, favorece o surgimento de novas agendas de pesquisa e contribui para que o conhecimento produzido se traduza em novas competências, tecnologias e ativos de propriedade intelectual vinculados ao ecossistema brasileiro de ciência, tecnologia e inovação. Trata-se de fortalecer a capacidade nacional não apenas de produzir conhecimento, mas de conectá-lo, desenvolvê-lo e transformá-lo em patrimônio tecnológico e em base para novos ciclos de inovação.
Para sustentar essa estratégia, o Instituto mantém um Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), responsável pela gestão da propriedade intelectual e da transferência de tecnologia, acompanhando o conhecimento e as tecnologias gerados no âmbito do Instituto e de suas parcerias, identificando resultados passíveis de proteção e estruturando, em conjunto com pesquisadores e instituições parceiras, as estratégias mais adequadas para sua proteção, valorização e exploração. Sua atuação compreende desde a estruturação jurídica das parcerias e a definição das regras aplicáveis aos resultados até o acompanhamento dos projetos e dos ativos deles decorrentes.
Em menos de um ano e meio de atuação estruturada, essa estratégia já se traduz em resultados concretos e consistentes. O portfólio do Instituto conta atualmente com 22 marcas, 7 registros de know-how e 7 registros de programas de computador, sendo 3 softwares em cotitularidade com instituições parceiras da Rede de Colabs. Paralelamente, 12/20
encontra-se em desenvolvimento um pipeline de proteção patentária composto por 10 tecnologias, sendo 4 desenvolvidas com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), 1 com a Universidade Federal do Ceará (UFC), 1 no âmbito da parceria com o International Iberian Nanotechnology Laboratory (INL) e 4 do próprio Instituto Kunumi.
Entre as estratégias adotadas, destaca-se a proteção de know-how por meio de mecanismo de carimbo do tempo, utilizado para conferir evidência verificável de existência, autoria e anterioridade a conhecimentos estratégicos sem exigir a publicização de seu conteúdo sensível.
As cotitularidades com ICTs brasileiras são especialmente relevantes nesse contexto. Elas representam, de forma concreta, a capacidade da Rede de Colabs de converter a cooperação científica em patrimônio tecnológico compartilhado, mantendo universidades e centros de pesquisa brasileiros como participantes da titularidade e, consequentemente, das decisões relacionadas à proteção, ao desenvolvimento e à futura exploração das tecnologias geradas. O modelo fortalece as instituições que integram a Rede e amplia as possibilidades de que os resultados da pesquisa sejam transferidos e alcancem a sociedade por meio de novos produtos, processos, serviços e soluções tecnológicas.
A mesma lógica orienta as colaborações internacionais. A inserção de instituições e pesquisadores brasileiros em projetos desenvolvidos com centros de excelência no exterior cria oportunidades para que o Brasil participe diretamente da geração e da proteção de tecnologias desenvolvidas na fronteira do conhecimento. Outro elemento fundamental dessa estratégia é o modelo jurídico de Aliança Estratégica adotado pelo Instituto para estruturar suas relações com universidades e centros de pesquisa. Diferentemente de uma lógica baseada exclusivamente na celebração sucessiva de instrumentos para projetos isolados, a Aliança Estratégica estabelece uma base institucional de cooperação científica e tecnológica de longo prazo. Por meio dela, são definidos previamente princípios, diretrizes e regras gerais de governança, inclusive sobre propriedade intelectual, compartilhamento e exploração de resultados, aportes, responsabilidades e mecanismos de tomada de decisão, criando um ambiente jurídico estável para o desenvolvimento de diferentes iniciativas de PD&I.
A partir dessa estrutura, novos projetos e planos de trabalho podem ser desenvolvidos como desdobramentos de uma relação institucional previamente organizada, 13/20
proporcionando maior segurança jurídica, previsibilidade e alinhamento entre os parceiros.
Para a gestão da propriedade intelectual, essa arquitetura é particularmente relevante porque permite que questões relacionadas à titularidade e à exploração dos resultados sejam tratadas desde a formação da parceria, reduzindo incertezas e criando condições mais favoráveis tanto para a geração conjunta de ativos quanto para sua posterior transferência.
A transferência de tecnologia completa esse ciclo. Para o Instituto, proteger a propriedade intelectual não constitui um fim em si mesmo: a proteção deve criar condições para que o conhecimento gerado possa ser desenvolvido, compartilhado e transferido de forma segura, produzindo impacto econômico, científico, tecnológico e social. Por isso, o NIT atua de forma articulada com os NITs das instituições parceiras, compartilhando boas práticas e construindo estratégias e instrumentos para proteção, gestão, valorização e transferência dos ativos desenvolvidos no âmbito das parcerias.
Esse conjunto de iniciativas posiciona o Instituto Kunumi não apenas como produtor de conhecimento, mas como ator articulado do Sistema Nacional de Inovação, capaz de conectar pesquisa, proteção, colaboração institucional e transferência de tecnologia. Ao integrar pesquisa de fronteira, propriedade intelectual e mecanismos estruturados de cooperação, o Instituto busca contribuir para que o conhecimento científico produzido no Brasil e em colaboração com parceiros internacionais se converta também em capacidade tecnológica instalada no país.
Mais do que gerar conhecimento, a estratégia é criar condições para que o Brasil participe da criação, da titularidade, da proteção e dos caminhos de exploração das tecnologias que ajudarão a definir o futuro, fortalecendo sua autonomia, sua capacidade de inovação e sua soberania tecnológica.
2. ADERÊNCIA AO TEMA
A Rede de Colabs apresenta aderência direta ao tema do MIT-ANPEI Brazil Summit 2026 — “Cooperar para competir em um mundo fragmentado” — e, especialmente, ao eixo dedicado à articulação entre academia, empresas, startups, capital e governo.
Em um contexto internacional marcado pela concentração da infraestrutura computacional, dos dados, dos modelos e dos ativos de propriedade intelectual em poucos países e 14/20
empresas, a capacidade de desenvolver inteligência artificial tornou-se uma questão de autonomia econômica, científica e tecnológica. Para o Brasil, participar dessa transformação exige criar condições para que o conhecimento produzido por seus pesquisadores seja desenvolvido, protegido e aplicado no país, formando competências nacionais e reduzindo dependências tecnológicas críticas.
A Rede de Colabs responde a esse desafio por meio de um modelo de cooperação que articula diferentes capacidades do ecossistema de inovação. As universidades e os centros de pesquisa aportam conhecimento científico, formação de talentos e investigação de fronteira; o Instituto Kunumi combina sua capacidade própria de pesquisa e desenvolvimento com a atuação como ICT articuladora, financiadora e gestora da rede;
empresas oferecem capacidade de investimento, ambientes de aplicação e caminhos para escala; e startups tecnológicas contribuem com especialização, agilidade e capacidade de converter conhecimento em novas soluções. Essa interação favorece a circulação de conhecimentos, métodos e competências entre os diferentes atores, ampliando as possibilidades de colaboração e de geração de novas pesquisas e tecnologias.
Essa articulação pode ser observada, por exemplo, no projeto de desenvolvimento de hardware fotônico-digital para inteligência artificial, que reúne o Instituto Kunumi, a spin-off brasileira FabNS, originada na UFMG, e o International Iberian Nanotechnology Laboratory — INL. O projeto associa pesquisa científica, empreendedorismo tecnológico e cooperação internacional para enfrentar gargalos relacionados ao custo computacional, à eficiência energética e à dependência de hardware estrangeiro.
A iniciativa também converge com as prioridades do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial — PBIA — ao contribuir para a formação e retenção de talentos, o desenvolvimento de infraestrutura e capacidades nacionais, a pesquisa avançada e a geração de tecnologias brasileiras em IA. Da mesma forma, dialoga com a Missão 4 da Nova Indústria Brasil, voltada à transformação digital e ao fortalecimento da participação nacional nos segmentos de novas tecnologias. O próprio MDIC relaciona essa missão à ampliação da adoção de inteligência artificial e à preservação da participação da produção nacional nesses segmentos. Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e Nova Indústria Brasil — Inovação e Transformação Digital.
15/20
A Rede complementa e apoia a atuação do Estado em políticas públicas na área de IA. Sua contribuição está em criar, com recursos privados e em cooperação com ICTs brasileiras, capacidades científicas, humanas, tecnológicas e institucionais que ajudam a transformar as diretrizes públicas de soberania e transformação digital em iniciativas concretas de pesquisa, formação e inovação.
Ao combinar investimento privado, liberdade científica, cooperação entre ICTs, participação empresarial, interação com startups e articulação com instituições governamentais e organizações do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, a Rede de Colabs demonstra como a cooperação pode aumentar a capacidade competitiva do país em uma tecnologia estratégica.
3. RESULTADO DA INICIATIVA
Entre a criação do Instituto Kunumi, em 2025, e agosto de 2026, a iniciativa passou da experiência inicial de colaboração com a UFMG para uma rede de pesquisa de alcance nacional, conectada a centros internacionais de excelência.
Nesse período, foram alcançados os seguintes resultados:
● Constituição de uma rede com 25 laboratórios, dos quais 20 estão localizados no Brasil e cinco no exterior;
● Presença nacional em 14 instituições, 13 municípios e 9 estados;
● Mobilização de mais de 300 participantes nos laboratórios nacionais;
● Concessão de mais de 250 bolsas apoiadas pelo Instituto Kunumi;
● Formação de um ecossistema com mais de 350 pesquisadores, considerando a Rede e a equipe interna do Instituto;
● Organização das atividades de pesquisa em 14 linhas estratégicas de inteligência artificial;
● Comprometimento de aproximadamente R$ 60,9 milhões com a rede, sendo R$ 45,7 milhões — 75,1% dos recursos — destinados aos laboratórios nacionais;
16/20
● Constituição de um portfólio com 22 marcas, 07 registros de programas de computador e 07 registros de know-how;
● Formalização de 3 softwares em cotitularidade com ICTs parceiras da Rede;
● Estruturação de um pipeline de proteção patentária composto por 10 tecnologias, 6 delas desenvolvidas em colaboração com instituições científicas brasileiras ou internacionais;
● Desenvolvimento de soluções de inteligência artificial já aplicadas em ambiente empresarial real, em áreas como crédito, atendimento ao cliente e análise de risco;
● Produção de pesquisas e artigos em colaboração entre equipes brasileiras e centros internacionais, incluindo trabalho conjunto entre Instituto Kunumi, Harvard e o Colab
PUCRS;
● Inserção de pesquisadores brasileiros em ambientes internacionais de pesquisa, incluindo doutorado-sanduíche em Stanford e intercâmbios científicos em estruturação com Harvard e MIT.
Os resultados demonstram que o principal impacto da iniciativa não está apenas no número de acordos celebrados, mas na criação de capacidade instalada de pesquisa e inovação. A Rede passou a oferecer bolsas, recursos, suporte institucional, governança jurídica, gestão de propriedade intelectual, conexões internacionais e possibilidades de aplicação prática a pesquisadores distribuídos por diferentes regiões do país.
4. REPLICABILIDADE DO APRENDIZADO
A iniciativa já superou as fases de concepção e teste inicial. O modelo foi implantado, os acordos de parceria foram formalizados, os laboratórios nacionais estão ativos, pesquisadores e bolsistas foram incorporados e há projetos de pesquisa em execução.
Também existem resultados concretos em propriedade intelectual, produção científica, formação de pessoas e aplicação empresarial.
O modelo da Rede de Colabs pode ser adaptado e reproduzido por empresas, ICTs, fundações, institutos de ciência e tecnologia e organizações interessadas em estruturar redes colaborativas de pesquisa.
A experiência também produziu aprendizados práticos: redes dessa natureza exigem governança permanente; os indicadores devem acompanhar não apenas publicações, mas 17/20
também pessoas formadas, tecnologias geradas, ativos protegidos e aplicações realizadas;
e a internacionalização deve ser desenhada para ampliar capacidades brasileiras, não apenas para financiar atividades no exterior.
Esse caminho pode ser reproduzido em menor escala, começando com uma instituição âncora, um conjunto reduzido de parceiros e uma linha de pesquisa comum. A expansão ocorre à medida que a governança, os instrumentos jurídicos e os mecanismos de acompanhamento se consolidam.
5. ESTÁGIO DO ESFORÇO INOVADOR
A Rede de Colabs encontra-se em estágio de operação estruturada e expansão, com resultados institucionais já mensurados entre 2025 e agosto de 2026.
A iniciativa já superou as fases de concepção e teste inicial. O modelo foi implantado, os acordos de parceria foram formalizados, os laboratórios nacionais estão ativos, pesquisadores e bolsistas foram incorporados e há projetos de pesquisa em execução.
Também existem resultados concretos em propriedade intelectual, produção científica, formação de pessoas e aplicação empresarial.
Ao mesmo tempo, a Rede permanece em processo de amadurecimento. Parte de seus projetos tecnológicos está em fase de pesquisa e desenvolvimento; algumas tecnologias integram pipeline de proteção patentária; a infraestrutura computacional multiusuária ainda está em estruturação; e determinadas iniciativas internacionais e intercâmbios de pesquisadores ainda não foram concluídos.
Assim, o estágio pode ser caracterizado como implantada, com expansão institucional e tecnológica em curso. A inovação organizacional representada pelo modelo de rede já funciona em escala, enquanto os projetos científicos que ela abriga se encontram em diferentes níveis de maturidade, desde a pesquisa exploratória até a aplicação em ambientes reais.
Essa distinção é importante: o case submetido não é um único produto tecnológico finalizado, mas uma inovação no modo de organizar, financiar e governar a cooperação em pesquisa e desenvolvimento de inteligência artificial. Seu resultado é a própria capacidade 18/20
de transformar competências dispersas em um ecossistema operacional, conectado e orientado à geração de conhecimento e ativos tecnológicos.
6. CONCLUSÃO
A construção da Rede de Colabs parte da compreensão de que a soberania nacional em inteligência artificial não será alcançada de forma isolada. Ela depende da capacidade de articular universidades, centros de pesquisa, ICTs privadas, empresas, startups, pesquisadores e poder público em torno de uma estratégia comum de geração de conhecimento, formação de talentos e desenvolvimento de tecnologias. Em um cenário de crescente concentração internacional de infraestrutura, dados, modelos e propriedade intelectual, assegurar a participação do Brasil nessa transformação exige criar condições para que o país não seja apenas consumidor de soluções desenvolvidas no exterior, mas também produtor e titular das tecnologias que influenciarão seu desenvolvimento econômico e social.
Ao conectar competências científicas distribuídas pelo território nacional, promover sua aproximação com centros internacionais de excelência e oferecer financiamento, infraestrutura, governança e suporte à propriedade intelectual, a Rede de Colabs contribui para consolidar uma capacidade brasileira permanente de pesquisa e inovação em inteligência artificial. A atuação em rede permite ampliar o alcance dos investimentos realizados, estimular a circulação do conhecimento, reduzir a fragmentação das iniciativas e criar condições para que os resultados da pesquisa sejam protegidos, transferidos e aplicados em benefício da sociedade.
Nesse sentido, a iniciativa também contribui para concretizar objetivos presentes nas políticas públicas brasileiras voltadas à inteligência artificial, à ciência, à tecnologia e à reindustrialização. Sua atuação converge especialmente com as diretrizes do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e da Nova Indústria Brasil, ao apoiar a formação e a retenção de talentos, fortalecer instituições científicas, estimular a transformação digital, desenvolver tecnologias estratégicas e ampliar a participação nacional nos segmentos tecnológicos de maior complexidade. Ainda que seja uma iniciativa estruturada com recursos privados, a Rede produz capacidades científicas e tecnológicas que permanecem vinculadas ao ecossistema brasileiro e colaboram para a realização de objetivos de interesse público.
19/20
A experiência da Rede de Colabs demonstra, assim, que a cooperação entre diferentes atores pode constituir um instrumento efetivo de soberania tecnológica. Ao transformar competências dispersas em uma estrutura coordenada de pesquisa, formação e desenvolvimento tecnológico, o Instituto Kunumi contribui para ampliar as discussões sobre o futuro da inteligência artificial no país e, sobretudo, para converter essas discussões em ações concretas. Mais do que acompanhar os avanços internacionais, a proposta é criar condições para que o Brasil participe de sua construção, formule seus próprios caminhos e tenha voz nas decisões científicas, tecnológicas, econômicas e sociais relacionadas à inteligência artificial.
20/20
[conteúdo visual do documento] [página 1] kunuminst
[página 5] Figura:
IA 26
BRASIL (20)
Novo
Cabeçalhos da tabela:
- #
- NOME
- INSTITUIÇÃO
- UF
- MUNICÍPIO
- PESQUISADORES
Tabela BRASIL (20):
1. Agentic AutoML — UFMG — MG — Belo Horizonte — 26
2. Agentic RL for Urban Mobility — UFBA — BA — Salvador — 4
3. Agents for the Social Good — UFCG — PB — Campina Grande — 37
4. AI for Health and Smart Cities — UFPel — RS — Pelotas — 9
5. Cybersecurity — UFMG — MG — Belo Horizonte — 21
6. Digital Humans & Simulations — PUCRS — RS — Porto Alegre — 15
7. Efficient RL — UFRGS — RS — Porto Alegre — 3
8. Explainable Multilingual Reasoning — UFF — RJ — Niterói — 3
9. Foundation Models — UFMG — MG — Belo Horizonte — 18
10. High-Performance Computing — UFMG — MG — Belo Horizonte — 14
11. Knowledge Graphs for LLMs — Unicamp — SP — Campinas — 21
12. Low-Resource Machine Learning — PUCRS — RS — Porto Alegre — 25
13. New Generation of Data Engineering — UFAM — AM — Manaus — 9
14. Quantum AI for Sciences — UFES — ES — Vitória — 6
15. Quantum Computing & Cocoa — UESC — BA — Ilhéus — 12
16. RL and Options Learning — Unisinos — RS — São Leopoldo — 6
17. Scams and Social Engineering — UFMG — MG — Belo Horizonte — 14
18. Small Language Models — UFC — CE — Fortaleza — 39
19. Software & AI Engineering — PUC-Rio — RJ — Rio de Janeiro — 28
20. Synthetic Data — UFPE — PE — Recife — 7
MUNDO (5)
21. Critical Applications for AI — U. Coimbra — PT — Coimbra — 2
22. Design & AI — MIT — EUA — MA Boston — 1
23. Energy & AI — Stanford — EUA — CA Palo Alto — 1
24. Hardware & AI — INL/FabNS — PT — Braga — 12
25. Responsible AI — Harvard — EUA — MA Boston — 1
Mapa:
- Brasil com estados destacados.
- Siglas visíveis no mapa: AM, CE, PB, PE, BA, ES, MG, RJ, SP, RS.
Logos/textos à direita:
- kunuminst + COLABS
- COIMBRA
- MIT
- Stanford
- HARVARD UNIVERSITY
Caixa:
- Em negociação:
- LNCC
- IIT Bombay
- Insper
[página 7] Dashboard/figura:
PERFIL DEMOGRÁFICO E EDUCACIONAL
Visão Geral Colabs Nacionais kunuminst
Indicadores principais:
- 343 PARTICIPANTES
- 19 COLABS ATIVOS
- 14 INSTITUIÇÕES
- 13 MUNICÍPIOS
- 9 ESTADOS
Indicadores por papel:
- 343 PARTICIPANTES
- 272 ESTUDANTES
- 41 PROFES.
- 23 COORD.
- 7 GESTORES
Filtros:
- Instituição
- Rede
- Papel
- Bolsista
Gráfico: DISTRIBUIÇÃO ETÁRIA
- 19–25: 162
- 26–30: 82
- 31–35: 29
- 36–40: 22
- 41–45: 22
- 46–50: 10
- 51–55: 10
- 56–60: 4
- 61–65: 1
- < 18: 1
Gráfico: GÊNERO Legenda:
- Masculino
- Feminino
- Outros
- Não informado
Valores visíveis/associados:
- Masculino: 251
- Feminino: 87
- Outros: 5
Gráfico: ETNIA Legenda:
- Branca
- Parda
- Preta
- Amarela
- Prefiro não informar
Valores visíveis/associados:
- Branca: 239
- Parda: 67
- Preta / Amarela / Prefiro não informar: 37
Gráfico: FORMAÇÃO EM ANDAMENTO
- Graduação: 145
- Mestrado: 76
- Doutorado: 64
- Pós-doc: 56
- Outros: 2
Gráfico: ÁREA DE FORMAÇÃO Legenda:
- Computação
- Sistemas
- Ciências Puras
- Engenharias
- Adm-Fin
- Outros
Valores visíveis/associados:
- Computação: 263
- Sistemas: 26
- Ciências Puras / Engenharias / Adm-Fin / Outros: 54
Gráfico: PARTICIPANTES POR INSTITUIÇÃO Rótulos visíveis:
- UFMG
- UFC
- UFCG
- PUCRS
- PUC-Rio
- Unicamp
- UESC
- UFAM
- UFPel
- UFPE
- UFES
- Unisinos
- UFBA
- UFF
Mapa: DISTRIBUIÇÃO DE PARTICIPANTES Textos visíveis no mapa/base:
- Atalhos de teclado
- Dados cartográficos ©2023
- Termos
Como citar
CREPALDE, Juliana. O Futuro Informa o Presente. Crivum, 2026. Disponível em: https://crivum.org/p/1nq9091a.
Crepalde, J. (2026). O Futuro Informa o Presente. Crivum. https://crivum.org/p/1nq9091a
@misc{crivum_tc58,
author = {Juliana Crepalde},
title = {O Futuro Informa o Presente},
year = {2026},
publisher = {Crivum},
url = {https://crivum.org/p/1nq9091a},
note = {Crivum TC58},
}Viu um problema nesta obra?
Toda obra publicada aqui fica aberta ao exame de quem lê. Se você encontrou dado que não se sustenta, trecho sem crédito ou autoria que não confere, aponte. A editoria lê todos os apontamentos.
Apontar exige conta, para o registro ter um nome por trás. Entre antes de escrever, assim você não perde o texto. Entrar para apontar
Um apontamento vai direto à editoria e fica registrado. Quando 3 pessoas diferentes apontam a mesma obra, ela sai do ar na hora e o caso vai ao comitê. A avaliação e o registro permanecem em qualquer caso, o que muda é a disponibilidade.