Duo Speed Model C2-5: uma abordagem de gestão para conciliar profundidade científica e velocidade de inovação em Deep Tech
Wandercleyson Uchôa prestígio (1)
Avaliação por modelos + Supervisão Editorial.
Aceite provisório
Registro já válido e público — número, score e prova congelados. Em revisão complementar do comitê; um endosso o torna definitivo, e o número não muda.
Duo Speed Model C2-5: um framework de governança orientado à incerteza para portfólios de inovação em Deep Tech early-stage
Resumo executivo
Startups de base científica operam sob uma assimetria gerencial decorrente dacoexistência de projetos submetidos a diferentes fontes de incerteza, requisitos deevidência, horizontes de maturação e critérios de validação. A literatura sobreaprendizagem organizacional estabeleceu a tensão entre exploration e exploitation comoproblema relacionado à aprendizagem e à alocação de recursos (March, 1991),posteriormente incorporado ao campo da ambidestria organizacional (O'Reilly III;Tushman, 2013). Estudos recentes demonstram, entretanto, que exploração e explotaçãonão devem ser necessariamente interpretadas como atividades rigidamente separáveis(Zhou; Dekkers; Chia, 2023).É nesse intervalo teórico-aplicado que se posiciona o Duo Speed Model C2-5, frameworkde gestão em desenvolvimento na Club 2-5 Tecnologia e Inovação. O modelo nãoreivindica como original a coexistência de exploração e explotação, a ambidestriaorganizacional ou a existência de diferentes velocidades de inovação. Sua contribuiçãoproposta consiste na operacionalização desses fundamentos para a governança de umportfólio Deep Tech early-stage a partir da natureza predominante da incerteza,conectando classificação do projeto, evidência requerida, regime decisório, gatesespecíficos, indicadores e integração do portfólio.Metodologicamente, trata-se de estudo conceitual-aplicado e exploratório, construídopela confrontação entre a literatura de ambidestria, incerteza e gestão de portfólio e aobservação inicial de dois projetos: CLB2-5/P&D1, classificado como Deep Core, eCLB2-5/SAAS01, enquadrado como Short-Cycle. A unidade de análise é o projeto deinovação.O framework é constituído por quatro mecanismos interdependentes: classificação pelaincerteza predominante; governança assimétrica sob estratégia comum; gates eindicadores específicos para cada regime; e integração deliberada entre as frentes.Velocidade representa o regime decisório adequado à natureza da evidência necessáriapara reduzir a incerteza que condiciona o avanço do projeto.A aplicação inicial permitiu observar uma decisão coerente com essa lógica: oCLB2-5/SAAS01 teve um ciclo de desenvolvimento deliberadamente postergado paraampliar sua maturidade antes do gate subsequente, sem que essa decisão alterasseartificialmente a trajetória científico-tecnológica do CLB2-5/P&D1. O episódio nãodemonstra eficácia, mas fornece evidência descritiva inicial de que a velocidade éconsequência da evidência necessária à decisão, e não uma meta independente dedesempenho.2 Para avaliação longitudinal, são propostos indicadores específicos. No Deep Core:evolução da maturidade tecnológica, evidências produzidas, gates atingidos e redução derisco técnico. No Short-Cycle: hipóteses testadas, aprendizagem por ciclo, tempo deiteração, maturidade funcional e decisões de Go/Adjust/No-Go. Na integração:transferência de conhecimento, dependências resolvidas, decisões compartilhadas ealocação de recursos.O estudo apresenta limitações: aplicação em uma única organização, amostra de doisprojetos, observação conduzida pelo próprio proponente, inexistência de contrafactual eperíodo insuficiente para inferências causais. Não se reivindica superioridade do DuoSpeed Model C2-5 sobre modelos consolidados de ambidestria. Sua contribuição nestaetapa consiste na formulação de uma arquitetura operacional, delimitada e refutávelpara governança de portfólio em contexto Deep Tech early-stage.Palavras-chave: Deep Tech; Ambidestria Organizacional; Governança de Portfólio; Gestão da Inovação.
Paper completo
Entre para baixar o PDF registrado1 - INTRODUÇÃO
Startups de base científica operam sob uma tensão particular: precisam respeitar o tempo necessário à produção de evidências e à redução de incertezas tecnológicas enquanto, simultaneamente, precisam experimentar, aprender e responder à dinâmica empresarial. Essa tensão dialoga com a distinção entre exploration e exploitation proposta por March (1991) e com a literatura de ambidestria organizacional, que investiga como organizações conciliam atividades submetidas a lógicas distintas (O’REILLY III; TUSHMAN, 2013).
Em Deep Tech, entretanto, essa questão assume características específicas. Projetos podem estar simultaneamente sujeitos a incertezas científicas, tecnológicas, comerciais, regulatórias e financeiras, enquanto sua progressão depende da produção de diferentes tipos de evidência. Estudos recentes reforçam os desafios particulares associados ao desenvolvimento e à comercialização de tecnologias de elevada intensidade científica (KASK; LINTON, 2025; SUBRAMANIAN, 2025).
Nesse contexto, este trabalho investiga: como organizar um portfólio Deep Tech early-stage no qual projetos submetidos a diferentes incertezas precisam avançar em ritmos próprios sem perder integração estratégica?
Para responder a essa questão, propõe-se o Duo Speed Model C2-5, framework de governança desenvolvido e aplicado inicialmente na Club 2-5 Tecnologia e Inovação. Sua proposição não está na existência de duas velocidades, conceito que possui antecedentes na literatura, mas na utilização da natureza predominante da incerteza que condiciona a próxima decisão como critério para definir o regime de governança de cada projeto.
2- FUNDAMENTAÇÃO E POSICIONAMENTO TEÓRICO
March (1991) relaciona exploration à busca, experimentação e descoberta e exploitation ao refinamento, eficiência e implementação. A literatura de ambidestria avançou ao investigar mecanismos capazes de permitir a coexistência dessas atividades dentro de uma mesma organização (O’REILLY III; TUSHMAN, 2013).
Trabalhos recentes demonstram, contudo, que essa relação não deve ser reduzida a uma separação rígida. Zhou, Dekkers e Chia (2023) questionam a premissa de que exploration e exploitation sejam necessariamente separáveis durante a inovação, enquanto Roth, Corsi e Hughes (2024) demonstram diferentes possibilidades de articulação entre atividades exploratórias e de explotação.
O Duo Speed Model C2-5 reconhece esses conceitos como fundamentos herdados da literatura. Seu delta está na especialização operacional para um portfólio Deep Tech early-stage. Em vez de dividir projetos simplesmente entre “rápidos” e “lentos”, o framework relaciona incerteza predominante, evidência necessária, regime decisório, gate e aprendizagem.
A maturidade tecnológica pode integrar essa avaliação, mas não é utilizada como sinônimo de velocidade. Os Technology Readiness Levels (TRLs), formalizados pela ISO 16290:2013 e confirmados pela ISO em 2024, constituem uma referência de maturidade tecnológica. No modelo proposto, são uma das evidências possíveis para decisões relacionadas ao desenvolvimento científico-tecnológico.
Assim, o framework não reivindica a autoria da ambidestria ou da inovação em duas velocidades. Sua contribuição proposta está na transformação desses fundamentos em uma regra operacional orientada à incerteza para gestão de portfólio Deep Tech.
3- DUO SPEED MODEL C2-5
O modelo parte de uma sequência decisória:
Incerteza predominante → Evidência requerida → Regime → Gate → Decisão → Aprendizagem → Integração.
O primeiro regime, denominado Deep Core, reúne projetos cuja próxima decisão depende predominantemente da produção de evidência científico-tecnológica. Sua cadência é evidence-driven: o avanço ocorre quando a evidência necessária sustenta o próximo gate. Maturidade tecnológica, redução de risco técnico e proteção de ativos podem integrar essa trajetória.
O segundo, denominado Short-Cycle, reúne projetos cujas incertezas podem ser reduzidas por ciclos comparativamente menores de construção, experimentação e aprendizagem. Sua cadência é predominantemente learning-driven.
A existência de duas velocidades não significa dois silos. Os projetos permanecem vinculados à mesma estratégia e compartilham governança, conhecimento e decisões de portfólio. Também não existe classificação permanente: uma mudança na incerteza predominante pode provocar revisão do regime.
Cada gate produz uma entre três decisões: Go, quando a evidência sustenta o avanço; Adjust, quando exige revisão de hipótese, prioridade, desenho ou cadência; e No-Go, quando evidência, risco e recursos não justificam continuidade nas condições avaliadas.
Dessa forma, Short-Cycle não significa necessariamente “correr”, assim como Deep Core não significa “esperar”. A velocidade representa o regime decisório compatível com a evidência necessária para reduzir a incerteza predominante.
4- APLICAÇÃO INICIAL E HIPÓTESES
O framework possui natureza conceitual-aplicada e encontra-se em observação inicial em dois projetos do portfólio da Club 2-5. O CLB2-5/P&D1 representa o regime Deep Core, enquanto o CLB2-5/SAAS01 opera inicialmente sob Short-Cycle. Os códigos são utilizados para preservar elementos tecnológicos não necessários à análise do modelo.
A aplicação já permitiu observar uma situação coerente com sua lógica: um ciclo do CLB2-5/SAAS01 foi deliberadamente postergado para permitir maior maturação antes do gate seguinte, sem que isso exigisse alterar artificialmente a trajetória científico-tecnológica do CLB2-5/P&D1. O episódio não demonstra eficácia, mas exemplifica como a classificação por regime não transforma rapidez em objetivo autônomo.
Para acompanhamento longitudinal, o Deep Core considera inicialmente evolução da maturidade, evidências produzidas, redução de risco e gates atingidos; o Short-Cycle, hipóteses testadas, aprendizagem por ciclo, maturidade funcional e tempo de iteração. Em ambos são registradas decisões Go/Adjust/No-Go, além de indicadores de integração entre os projetos.
Duas hipóteses orientam a continuidade da avaliação: H1, a associação entre incerteza, evidência e gate reduz decisões de aceleração incompatíveis com a maturidade do projeto; e H2, regimes operacionais distintos sob governança comum permitem preservar temporalidades diferentes sem ampliar a formação de silos.
5- LIMITAÇÕES E CONCLUSÃO
Esta aplicação envolve somente dois projetos de uma mesma organização, sem grupo comparador ou contrafactual. Além disso, o proponente do framework é também Founder da organização observada, condição que introduz risco de autoavaliação e viés de confirmação. O período de acompanhamento ainda não permite estabelecer causalidade, superioridade ou generalização do modelo.
Essas limitações delimitam a contribuição desta etapa como proposição conceitual acompanhada de evidências iniciais de aplicação, e não como validação de eficácia.
O Duo Speed Model C2-5 parte de conceitos consolidados de ambidestria e gestão da inovação, mas desloca sua operacionalização para a natureza da incerteza que condiciona a próxima decisão de um projeto Deep Tech. Sua arquitetura pode ser sintetizada como incerteza → evidência → regime → gate → decisão → aprendizagem → integração.
A continuidade do estudo deverá acompanhar longitudinalmente os indicadores propostos, registrar gates e decisões e posteriormente testar o framework em outros portfólios. Dessa forma, sua contribuição não está em propor simplesmente “duas velocidades”, mas em investigar se diferentes temporalidades podem ser convertidas em um sistema explícito e testável de governança orientada à incerteza para portfólios Deep Tech early-stage.
6- REFERÊNCIAS
INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 16290:2013: Space systems — Definition of the Technology Readiness Levels (TRLs) and their criteria of assessment. Geneva: ISO, 2013. Confirmada em 2024.
KASK, Johan; LINTON, Gabriel. Navigating the innovation process: challenges faced by deep-tech startups. In: Contemporary issues in Industry 5.0. Cham: Springer, 2025. p. 197–219.
MARCH, James G. Exploration and exploitation in organizational learning. Organization Science, v. 2, n. 1, p. 71–87, 1991. DOI: 10.1287/orsc.2.1.71.
O’REILLY III, Charles A.; TUSHMAN, Michael L. Organizational ambidexterity: past, present, and future. Academy of Management Perspectives, v. 27, n. 4, p. 324–338, 2013. DOI: 10.5465/amp.2013.0025.
ROTH, Linus; CORSI, Simone; HUGHES, Mathew. Ambidexterity within a multinational context: how organisations can leverage explorative and exploitative reverse innovation. R&D Management, v. 54, n. 3, p. 628–643, 2024. DOI: 10.1111/radm.12668.
SUBRAMANIAN, Vinay. Lean thinking, deep impact? Exploration strategies and commercialization of deeptech ventures. Academy of Management Proceedings, v. 2025, n. 1, 2025. DOI: 10.5465/AMPROC.2025.440bp.
ZHOU, Qijun; DEKKERS, Rob; CHIA, Robert. Are James March’s ‘exploration’ and ‘exploitation’ separable? Revisiting the dichotomy in the context of innovation management. Technological Forecasting and Social Change, v. 192, art. 122592, 2023. DOI: 10.1016/j.techfore.2023.122592.
Como citar
UCHÔA, Wandercleyson. Duo Speed Model C2-5: uma abordagem de gestão para conciliar profundidade científica e velocidade de inovação em Deep Tech. Crivum, 2026. Disponível em: https://crivum.org/p/3jggbu5a.
Uchôa, W. (2026). Duo Speed Model C2-5: uma abordagem de gestão para conciliar profundidade científica e velocidade de inovação em Deep Tech. Crivum. https://crivum.org/p/3jggbu5a
@misc{crivum_ea77,
author = {Wandercleyson Uchôa},
title = {Duo Speed Model C2-5: uma abordagem de gestão para conciliar profundidade científica e velocidade de inovação em Deep Tech},
year = {2026},
publisher = {Crivum},
url = {https://crivum.org/p/3jggbu5a},
note = {Crivum EA77},
}Viu um problema nesta obra?
Toda obra publicada aqui fica aberta ao exame de quem lê. Se você encontrou dado que não se sustenta, trecho sem crédito ou autoria que não confere, aponte. A editoria lê todos os apontamentos.
Apontar exige conta, para o registro ter um nome por trás. Entre antes de escrever, assim você não perde o texto. Entrar para apontar
Um apontamento vai direto à editoria e fica registrado. Quando 3 pessoas diferentes apontam a mesma obra, ela sai do ar na hora e o caso vai ao comitê. A avaliação e o registro permanecem em qualquer caso, o que muda é a disponibilidade.