Potencialização da plataforma de biociência por meio da IA como vetor da inovação cosmética para a multiplicidade étnica e etária
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Natura combina IA, biociência e biodiversidade brasileira para acelerar bioativos e ampliar cosméticos voltados à diversidade étnica e etária.
Resumo executivo
O trabalho descreve a construção de uma plataforma proprietária de biociência potencializada por inteligência artificial para compreender, em profundidade molecular, a multiplicidade étnica e etária da população brasileira e convertê-la em soluções cosméticas. A plataforma integra entendimento psicossocial, neurocomportamental e biológico do consumidor, bioprospecção ética da biodiversidade, descoberta e qualificação de bioativos, predição de eficácia e segurança, modelos pré-clínicos avançados e comprovação clínica em painéis diversos.
O caso apresenta resultados associados à aceleração da inovação, ao desenvolvimento de bioativos amazônicos, à validação de produtos para públicos pouco estudados — como mulheres 80+ e populações diversas — e ao desempenho de linhas como Chronos Derma e Lumina Antissinais. Também destaca impactos qualitativos ligados ao posicionamento da Natura em biociência cosmética, biodiversidade, longevidade, inclusão e inovação regenerativa.
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Potencialização da plataforma de biociência por meio da IA como vetor da Inovação cosmética para a multiplicidade étnica etária DRIVER: Construir uma plataforma proprietária de biociência potencializada pela inteligência artificial, capaz de entender a multiplicidade étnica e etária da população brasileira em profundidade molecular, e transformá-los em soluções cosméticas de alta performance PERFIL DE INOVAÇÃO: Modelo de negócio existente, novas competências.
POTENCIAL DE IMPACTO: Alto potencial transformativo, alto potencial financeiro.
ABRANGÊNCIA: Global
DESAFIO
SAD
O Brasil é o quarto maior mercado de beleza e cuidados pessoais do mundo, movimentando US$ 27 bilhões em 2024, com projeção de alcançar US$ 52 bilhões até 2030 (Mordor Intelligence/ABIHPEC). Ao mesmo tempo, 81% dos brasileiros concordam que as marcas de beleza deveriam fornecer mais evidências científicas para sustentar seus resultados (Mintel, 2024). Esse dado revela a contradição central do setor: um mercado imenso e exigente, operado por metodologias de desenvolvimento que ainda não acompanham a complexidade de seus consumidores.
O primeiro desafio é estudar cientificamente a multiplicidade étnica e etária brasileira. O Brasil reúne uma das maiores diversidades de pele do mundo, com 55,5% da população se autodeclarando preta ou parda (Censo IBGE 2022) — o maior grupo de consumidores do mercado de beleza —, além de uma das faixas etárias mais heterogêneas do planeta. Ainda assim, 20% dos consumidores negros declaram dificuldade para encontrar cosméticos adequados (Mintel), e grupos como mulheres acima de 80 anos permanecem inexplorados pela literatura científica cosmética. Metodologias convencionais capturam percepções declaradas, mas não caracterizam a biologia real de cada perfil — composição lipídica, microbioma, vias moleculares de envelhecimento, estrutura interna da fibra capilar. Sem esse nível de profundidade, qualquer formulação responde a um perfil médio e não personalizado.
O segundo desafio é encontrar ativos eficazes alinhados à sustentabilidade. A biodiversidade brasileira abriga 39.285 espécies vegetais registradas — 34% na Amazônia —, um patrimônio único para a indústria cosmética. Convertê-lo em ingredientes viáveis é intrinsecamente complexo: a composição química varia por sazonalidade, região e extração;
eficácia e segurança precisam de validação rigorosa; e qualquer exploração responsável exige cadeias produtivas que fortaleçam comunidades locais e garantam manejo sustentável. Esse conjunto de exigências — técnicas, sociais e ambientais — é parte central do desafio, não subproduto.
O terceiro desafio é integrar biociência e inteligência artificial em todas as etapas: da caracterização do consumidor à comprovação clínica. Isso exige infraestrutura laboratorial de classe mundial, modelos computacionais de predição de bioatividade e segurança, plataformas de expressão gênica, proteômica e metabolômica — e capacidade de traduzir essa ciência em produtos com velocidade competitiva. É exatamente essa integração que define o diferencial da plataforma construída pela Natura.
CAMPO 2 — INOVAÇÃO
Qual a inovação desenvolvida A Natura estruturou uma plataforma proprietária de inovação para desenvolvimento de produtos organizada em quatro etapas encadeadas — entendimento do consumidor, descoberta e qualificação de bioativos, correlação de dados e predição de eficácia, e comprovação clínica — sustentada por biociência, inteligência artificial e tecnologias que evoluem continuamente.
Etapa 1— Entendimento profundo do consumidor: com base em três dimensões para mapear a multiplicidade étnica e etária brasileira. Estudos psicossociais traduzem contextos socioculturais em oportunidades para o desenvolvimento de novos produtos, como o projeto dandara que mapeou o bem-estar da mulher negra. Na neurocomportamental, metodologias de eletroencefalografia, associação implícita e espectro de voz traduzem em dados acionáveis o que o consumidor não consegue verbalizar. Na biológica, painéis baseados em metodologias de corneometria, tewametria, microbiota, lipidômica e metagenômica caracterizam a biologia de cada perfil. A partir das informações geradas, IA proprietárias correlacionam e agrupam os dados, e a IA generativa (2025) conecta os perfis de necessidades étnicas e etárias ao banco de ativos, navegando base histórica e literatura global.
Etapa 2— Da Bioprospecção à descoberta de bioativos: A pesquisa inicia através da Bioprospecção ética de espécies emblemáticas ou ecossistemas pouco explorados, ancorada na Etnobotânica e em modelos de produção sustentável e regenerativo que fortalecem a Bioeconomia Local, seguida pela obtenção de bioativos via Química Verde e Tecnologias de Extração Avançadas, com Caracterização Fitoquímica (garante a acuracidade científica e viabilidade técnico-econômica) por meio da espectrometria de massa de alta resolução — que já identificou mais de 40 compostos inéditos nos últimos anos — culmina na entrega de Bioativos de Alta Performance.
Etapa 3— Comprovação de mecanismos de ação dos ativos: Transcriptômica, metabolômica e análises de conjuntos de genes determinam mecanismos biológicos de atuação do ativo e algoritmos de bioinformática e IA permitem comparar com centenas de amostras do portfólio simultaneamente, predizendo eficácia e segurança. Para validação de eficácia pré-clínica, evoluímos com modelos de pele 3D: senescente (2023) e menopausada(2025) — caracterizada por sequenciamento de RNA. Outros métodos altamente tecnológicos como microtomografia de raio-x em mechas são usados para avaliar a densidade proteica do córtex de fios mais porosos como o grisalho.
Etapa 4— Comprovação de eficácia dos produtos: Realizada em estudos com o com maior banco de dados da pele da população brasileira, que refletem a multiplicidade étnica e etária brasileira, 60% dos painéis incluem peles pardas e negras. Equipamentos instrumentais medem objetivamente hidratação, barreira, densidade dérmica e estrutura capilar antes e após o uso. A espectroscopia MALDI, nova para a ciência capilar (2025), e análises de microbioma e lipidoma ampliam o olhar ao nível molecular.
CAMPO 3 — IMPACTO QUANTITATIVO
Qual o impacto quantitativo gerado A eficácia da plataforma se mede primeiro pelo que ela produziu em termos de capacidade de inovação — e depois pelo que os produtos entregam.
A plataforma acelerou a inovação de forma mensurável. A integração de IA e biodados elevou a entrega de novos bioativos amazônicos de 1–2 por ano para 6 em 2025 — recorde histórico, com a empresa atingindo 52 dos 55 bioingredientes previstos para 2030. O investimento em inovação focado em P&D cresceu 67% entre 2019 e 2025 (R$214M para R$357M), com equipe de mais de 440 pessoas dedicadas no P&D. A Natura é o maior depositante mundial de patentes ligadas a insumos da flora amazônica, com 16 patentes nas categorias rosto e cabelos. Mais da metade dos SKUs da Natura (52%) utiliza pelo menos um ingrediente da Biodiversidade Amazônia.
Ajuru prova a capacidade de descoberta. Bioativo da restinga amazônica com composição lipídica única, rico em ácidos graxos diferenciados como o licânico e parinárico, identificado pela plataforma como estimulador inédito do Colágeno XVII, via que protege a vitalidade das células-tronco da pele. Validado em modelo de pele 3D senescente e incorporado ao Natura Chronos Derma Super Sérum para Olhos (2025): eficácia nos 10 sinais de envelhecimento da área dos olhos, com redução de até 58% nos três tipos de rugas e 100% de melhora em todos os sinais a partir de 28 dias. O produto gerou incremento de 150% na receita do sku para olhos no Brasil comparado ao ano anterior.
O estudo 80+ prova o entendimento da multiplicidade etária. Caracterização científica inédita de uma população pouco estudada pela cosmetologia — embasou produtos antissinais com 99% de aceitação geral e eficácia clínica comprovada com 16,4% de melhora na barreira cutânea em 28 dias, com 100% das voluntárias respondendo desde 7 dias de tratamento.
O lançamento da linha Chronos Derma prova a biociência anti-senescência. Bioativos transversais, caseária e jatobá, demonstraram ação anti-senescência celular in vitro e foram validados em 302 voluntárias de 30 a 89 anos, com redução de rugas de 6,2% a 7,7%, melhora na função de barreira de 5,5 a 15,6%, estímulo de pró-colágeno tipo I de 9,8% a 101,9% e de elastina de 7,1 a 86,2% após 28 dias. No total do relançamento da linha, mais de 8.000 mulheres testaram e aprovaram os produtos desenvolvidos. No mercado: +16% de receita bruta e +7% de volume vs anterior no Brasil nos primeiros meses de lançamento — com reversão da tendência de queda de volume dos últimos três anos.
Lumina Antissinais prova o impacto de uma inovação inédita no mercado capilar. Primeira linha a atuar na reversão dos primeiros sinais de fio branco, comprovada em estudo: redução de queda de 38,4% em 74% dos participantes e redução do grisalhamento de até 3,8% em 68% das voluntárias. A marca Lumina registrou +20% de receita em 2025 vs. 2024 no Brasil.
Lançada apenas no Q4 de 2025, a linha Antissinais já representou mais de 13% do mix de vendas de Lumina, tornando-se a linha mais vendida da marca no trimestre do lançamento.
CAMPO 4 — IMPACTO QUALITATIVO
Qual o impacto qualitativo gerado A plataforma reposicionou a Natura como referência global em biociência cosmética aplicada à biodiversidade e à multiplicidade étnica e etária — conectada diretamente à Visão 2050 da empresa, que propõe a regeneração como eixo central do modelo de negócios.
O estudo com mulheres acima de 80 anos viabilizou o primeiro produto antissinais para o público 80+ (Creme Antissinais Fortalecimento e Nutrição 80+), premiado no Wellness & Longevity Choice Awards 2025 (INNOCOS Longevity Summit, EUA). A pesquisa gerou dados inéditos sobre a pele octogenária, demonstrando sua responsividade a tratamentos dermocosméticos, em alguns casos superior à de peles mais jovens.
O estudo com 302 mulheres de 30 a 90 anos com diferentes tons de pele comprovou a eficácia formulações com ativos da biodiversidade, Jatobá e Caseária, para a prevenção da senescência melhorando as funções biológicas e a responsividade da pele a tratamentos dermocosméticos foi premiado no Congresso Brasileiro de Cosmetologia 2025 na categoria biodiversidade, demonstrando o potencial de bioativos em uma população diversa.
A continuidade desse investimento em multiplicidade etária avança com o Registro Nacional de Mulheres na Menopausa, estudo multicêntrico iniciado em 2025, com cobertura nacional e patrocínio exclusivo da Natura no setor cosmético. Os dados têm potencial de impacto no SUS e na saúde privada, posicionando a Natura como geradora e detentora deste conhecimento científico,que trará colaboração em impacto nacional e internacional científico e também para o setor público de saúde.
A linha Lumina Antissinais representa avanço conceitual inédito: primeira linha a atuar na reversão dos primeiros sinais de fio branco combatendo o estresse oxidativo do folículo — confrontando o ceticismo de "uma vez grisalho, sempre grisalho". Comprovada clinicamente em 150 dias, com 4 patentes previstas (2 já depositadas) reforça que biociência, inteligência artificial e resultado comercial caminham juntos na plataforma da Natura.
Os estudos sobre populações diversas não se restringiram às diferenças étnicas e etárias. Um estudo pioneiro, aceito pelo conselho técnico-científico e publicado no Congresso Americano de Dermatologia (AAD 2025), investigou as características da pele de homens e mulheres transgêneros de diferentes faixas etárias em terapia hormonal e como o uso de cosméticos pode auxiliar durante essa fase.
Como extensão da plataforma, a Natura também antecipou tendências globais de biociência aplicada à longevidade por meio do investimento via Natura Ventures na Antarka, startup de biotecnologia que pesquisa ativos de microrganismos extremófilos da Antártica. Ao integrar ciência de ponta, sustentabilidade e inovação aberta, a companhia amplia seu posicionamento como líder na próxima geração de soluções regenerativas, conectando biodiversidade, deep tech e impacto positivo.
Ao unir biociência, IA, biodiversidade e a compreensão da multiplicidade étnica e etária brasileira em uma plataforma proprietária, a Natura acelerou a inovação, gerou resultados comerciais relevantes e produziu conhecimento científico inédito no âmbito dos capitais humano, social, natural e produzido. Com isso, transformou ciência em vantagem competitiva e reforçou seu posicionamento como referência global em inovação cosmética regenerativa.
( X ) Big Data, Analytics ou mineração de dados ( ) Internet das coisas (IoT) ( ) Realidade virtual / aumentada ( x ) Algoritmos de aprendizado de máquina (machine learning) (X ) Inteligência artificial (generativa ou não) ( ) Blockchain ( ) Computação quântica ( x ) Outras (e.g.: biotecnologia, nanotecnologia, etc). Quais?
Eletroencefalografia, para capturar respostas neurológicas involuntárias dos consumidores, traduzindo percepções sensoriais e emocionais em dados acionáveis para o desenvolvimento de produtos;
Corneometria e Tewametria, para mensurar objetivamente hidratação cutânea e integridade da barreira da pele, permitindo a caracterização biológica precisa de diferentes perfis étnicos e etários;
Lipidômica e Metagenômica, para mapear o perfil lipídico e o ecossistema microbiano da pele em profundidade, revelando diferenças moleculares entre populações e orientando o desenvolvimento de formulações personalizadas;
Espectrometria de Massa de Alta Resolução, para caracterização fitoquímica detalhada de espécies da biodiversidade amazônica, garantindo a identificação de compostos inéditos e a viabilidade técnico-científica dos bioativos;
Etnobotânica, para embasar a bioprospecção ética de espécies e ecossistemas pouco explorados, integrando o conhecimento tradicional das comunidades locais ao desenvolvimento científico de ingredientes cosméticos;
Transcriptômica e Metabolômica, para determinar os mecanismos biológicos de atuação dos ativos, analisando a expressão gênica e o perfil de metabólitos da pele em resposta aos bioingredientes desenvolvidos;
Modelos de Pele 3D e Sequenciamento de RNA, para validação pré-clínica de eficácia e segurança em modelos que reproduzem condições específicas como senescência e menopausa, caracterizados em nível molecular para maior precisão e relevância científica.
Eletroencefalografia Corneometria Tewametria Lipidômica Metagenômica Espectrometria de Massa de Alta Resolução Etnobotânica Transcriptômica Metabolômica Modelos de pele 3D Sequenciamento de RNA
Como citar
STURION, EDER. Potencialização da plataforma de biociência por meio da IA como vetor da inovação cosmética para a multiplicidade étnica e etária. Crivum, 2026. Disponível em: https://crivum.org/p/2vhfx4hh.
STURION, E. (2026). Potencialização da plataforma de biociência por meio da IA como vetor da inovação cosmética para a multiplicidade étnica e etária. Crivum. https://crivum.org/p/2vhfx4hh
@misc{crivum_ec49,
author = {EDER STURION},
title = {Potencialização da plataforma de biociência por meio da IA como vetor da inovação cosmética para a multiplicidade étnica e etária},
year = {2026},
publisher = {Crivum},
url = {https://crivum.org/p/2vhfx4hh},
note = {Crivum EC49},
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