Da sala de aula ao ecossistema: Como Salgueiro construiu um pipeline de inovação no Sertão de Pernambuco
Marcelo Anderson Batista Dos Santos prestígio (1)
Avaliação por modelos + Supervisão Editorial.
Aceite provisório
Registro já válido e público — número, score e prova congelados. Em revisão complementar do comitê; um endosso o torna definitivo, e o número não muda.
Salgueiro mostra como uma sala maker virou pipeline regional de inovação ao reorganizar incubação, pré-incubação, P&D e governança territorial.
Resumo executivo
O trabalho descreve a trajetória de Salgueiro, no Sertão Central de Pernambuco, na construção incremental de um ecossistema de inovação entre 2021 e 2026. A partir de um Laboratório Maker iniciado durante a pandemia, com investimento inicial de R$ 82 mil, o território passou a articular formação tecnológica, cultura maker, projetos aplicados, pré-incubação, incubação, infraestrutura compartilhada de P&D, captação de recursos e governança por meio do Inova Salgueiro.
A contribuição central do caso está menos na criação isolada de laboratórios, incubadora ou centro de inovação, e mais na lógica de sequenciamento adotada: cada gargalo observado levou à construção da capacidade seguinte. O texto destaca especialmente o pivô de reduzir temporariamente a ênfase em incubação para fortalecer a pré-incubação, a combinação de atividades remotas com infraestrutura física regional e a passagem de iniciativas institucionais para uma agenda territorial coordenada.
Paper completo
Entre para baixar o PDF registradoMarcelo Santos – Marcelo.santos@ifsertao-pe.edu.br Yanne Andrade – Yanne.andrade@ifsertao-pe.edu.br IFSertãoPE, campus Salgueiro Da sala de aula ao ecossistema Como Salgueiro construiu um pipeline de inovação no Sertão de Pernambuco
65.946 habitantes. Uma trajetória de capacidade tecnológica, empreendedorismo e governança territorial.
Salgueiro - Pernambuco | Setembro de 2026
RESUMO EXECUTIVO
Uma cidade pequena pode construir capacidade própria para inovar?
Salgueiro, município do Sertão Central de Pernambuco com população estimada em 65.946 habitantes em 2025, não partiu de um grande parque tecnológico nem de um ecossistema maduro de startups. A trajetória começou durante a pandemia, em 2021, com um Laboratório Maker ainda em consolidação e um investimento inicial de R$ 82 mil. Em poucos anos, o território passou a combinar cultura maker, formação tecnológica, pesquisa aplicada, pré-incubação, incubação, infraestrutura de P&D, captação de recursos e governança do ecossistema.
| A transformação central não foi criar uma incubadora. Foi construir um fluxo contínuo que conecta pessoas, tecnologia, ideias, negócios, capital e instituições.
| 26 / startups atualmente incubadas / dados internos, 2026 | 40 / projetos pré-incubados em 2026 / dados internos, 2026 | 13 / municípios alcançados / dados internos, 2026 |
|---|---|---|
| +200 / atendimentos desde 2023 / pré-incubação, incubação e apoio | ~R$ 1 mi / captações 2025-2026 / reportadas pelas startups acompanhadas | R$ 210 mil / FACEPE - Pró-Startups Incubadoras / resultado final, 2025 |
A jornada evoluiu de forma incremental: cada nova capacidade expôs o próximo gargalo. O LabMaker mostrou que era necessário formar pessoas; os projetos mostraram a necessidade de incubação; a incubadora revelou que era preciso criar um pipeline de pré-incubação; o aumento das startups exigiu infraestrutura mais robusta; e a expansão das iniciativas demonstrou que um ecossistema precisa de governança compartilhada.
2021 / LabMaker / início durante a pandemia | 2022 / Estruturação / espaço dedicado e rede de apoio | 2023 / Incubadora / primeiro ciclo de startups | 2024 / SerTão + CIM / pré-incubação e nova infraestrutura | 2025 / Escala / R$ 210 mil FACEPE | 2026 / Ecossistema / CIM em operação + Inova Salgueiro
1. O DESAFIO
Não havia uma fórmula para copiar - e isso foi uma vantagem Quando começamos, seria tentador procurar um modelo pronto: um parque tecnológico de referência, uma incubadora consolidada ou alguma versão local do Vale do Silício. A literatura, entretanto, alerta para o risco dessa transposição. Tödtling e Trippl (2005) mostram que não existe uma política regional de inovação “one size fits all”: regiões centrais, industriais e periféricas possuem condições, redes e barreiras diferentes. A literatura de ecossistemas empreendedores reforça a mesma ideia ao tratar o desempenho como resultado das relações entre atributos culturais, sociais e materiais do território, e não da simples reprodução de estruturas isoladas (STAM, 2015; SPIGEL, 2017).
Salgueiro partia de uma realidade distinta dos grandes polos tecnológicos. Havia estudantes, pesquisadores, problemas reais do Sertão e competências técnicas em formação, mas baixa densidade de startups, acesso mais restrito a capital, distâncias relevantes entre os municípios e uma infraestrutura de inovação ainda nascente. Estudos sobre ecossistemas em lugares periféricos e rurais mostram que pequena escala, distância, disponibilidade de recursos e densidade institucional alteram a forma como esses ambientes precisam ser construídos (XU; DOBSON, 2019; CALISPA AGUILAR, 2021). No contexto brasileiro, Mesquita e Fernandes (2026) também defendem que região e inovação precisam ser pensadas conjuntamente em contextos periféricos, evitando tratar o território apenas como o local onde um modelo previamente definido será instalado.
| Em vez de perguntar “como criar o Vale do Silício do Sertão?”, a pergunta passou a ser: “qual é a próxima capacidade que o território precisa construir?”
Foi por isso que a pergunta mudou. Em vez de tentar reproduzir um ecossistema desenvolvido em outro lugar, passamos a observar qual capacidade faltava para que a próxima etapa pudesse acontecer. O ecossistema não foi desenhado de uma vez: foi sendo construído por respostas sucessivas a gargalos concretos - espaço, competências, geração de ideias, apoio a negócios, acesso a tecnologia, capital e coordenação institucional.
O ponto de partida: uma sala compartilhada O primeiro ambiente de inovação do campus começou de forma improvisada.
Figura 1 - Sala utilizada nos primeiros momentos do LabMaker. | Figura 2 - Primeiras impressoras e equipamentos de fabricação digital.
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Conteúdo de imagem. NF 733
VOL 07/12
NF 733 VOL [ilegível]
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- 3DFila
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2. DA INFRAESTRUTURA À CULTURA MAKER
Equipamentos não inovam sozinhos Os trabalhos do LabMaker no Campus Salgueiro começaram durante a pandemia, em 2021. Segundo registro institucional do campus, o projeto recebeu investimento inicial de R$ 82 mil. Na inauguração do espaço consolidado, em 2022, a instituição já contabilizava mais de R$ 570 mil investidos e anunciava nova expansão. Nos anos seguintes, a infraestrutura continuou sendo ampliada com novos ambientes, equipamentos e capacidade de prototipagem, software, redes, Internet das Coisas e inteligência artificial.
A expansão física foi importante, mas o salto qualitativo ocorreu quando o laboratório passou a ser tratado como ambiente de aprendizagem ativa e não como coleção de máquinas. A lógica do “aprender fazendo” orientou oficinas e projetos em programação, robótica, manufatura aditiva, eletrônica, Internet das Coisas e prototipagem.
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Conteúdo de imagem. LAB MAKER Figura 3 - LabMaker do Campus Salgueiro após a consolidação de espaço dedicado.
A formação também extrapolou o campus. Estudantes e professores participaram de ações em escolas e eventos, ajudando a disseminar cultura maker e empreendedorismo. Em 2023, dez estudantes do interior participaram do I Hackathon Mercosul, em Assunção, no Paraguai, no contexto da Educação Profissional e Tecnológica.
Transcrição da figura
Conteúdo de imagem. I HACKATHON MERCOSUL Figura 4 - Participação no I Hackathon Mercosul, Assunção, Paraguai, 2023.
3. QUANDO PROJETOS VIRARAM OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO
O laboratório começou a gerar problemas melhores À medida que estudantes e pesquisadores dominavam novas ferramentas, surgiram projetos aplicados a desafios do território. Entre eles estão Thor3D, com soluções de manufatura aditiva para mobilidade animal; SIGMA, voltado à irrigação de precisão com IoT e inteligência computacional; BeeCasa, combinando abrigos produzidos por impressão 3D, polinização e monitoramento; e PetLife, posteriormente evoluída para uma solução de identificação, cadastro e apoio a políticas públicas de cuidado animal.
Esses projetos mudaram a natureza da pergunta. A questão deixou de ser apenas “é possível construir?” e passou a ser “como transformar um protótipo promissor em solução sustentável, validada e escalável?”. Foi essa transição que motivou a implantação da Incubadora Sertão Maker dentro do próprio ambiente maker.
2022-2023: a incubadora ganha forma O edital do Programa de Geração de Startups para o Sertão Central, publicado no fim de 2022 para execução em 2023, previa a seleção de até 15 novos empreendimentos inovadores e escaláveis. O documento registrava um espaço de aproximadamente 100 m² com computadores, impressoras 3D, kits de robótica, microcontroladores e ferramentas, além de uma rede de apoio composta por instituições como UPE, Univasf, Fachusc, Sebrae, Prefeitura de Salgueiro e CDL.
| O primeiro ciclo ensinou algo decisivo: em um ecossistema nascente, não basta incubar startups. É preciso primeiro fazer com que mais startups surjam.
O problema, portanto, não era apenas selecionar negócios. O primeiro ciclo de incubação funcionou também como um diagnóstico: a região apresentava interesse e capacidade de criar soluções, mas ainda não gerava, em volume suficiente, empreendimentos maduros para alimentar continuamente uma incubadora. Esse aprendizado levou a uma mudança de sequência.
O pivô: fortalecer a base antes de voltar a incubar Em vez de insistir em novos editais de incubação para preencher vagas, a decisão foi deslocar o esforço para uma etapa anterior. Por aproximadamente 18 meses, novos ciclos regulares de incubação deixaram de ser a prioridade enquanto a equipe estruturava pré-incubação, capacitação empreendedora e mecanismos de geração e validação de ideias. A incubadora, nesse período, deixou de ser apenas um destino e passou a ajudar a construir o próprio fluxo de entrada.
A pré-incubação, portanto, não surgiu como um módulo adicional em uma sequência previamente definida. Ela foi uma resposta organizacional à insuficiência do pipeline. O sinal de mudança foi simples: quando a maior parte da demanda ainda precisa validar problema, cliente, proposta de valor e equipe, abrir mais vagas de incubação trata o sintoma, não o gargalo. O aprendizado foi voltar uma etapa, aumentar a base e só depois retomar a incubação em escala.
Esse é um dos elementos distintivos do caso: não a existência da pré-incubação - prática já presente em outras incubadoras -, mas o uso da baixa maturidade da demanda como critério para redesenhar a sequência do programa.
4. SERTÃO INOVADOR
Da incubação isolada para um pipeline de empreendedorismo Para ampliar a cultura empreendedora e reduzir as barreiras geográficas do Sertão, o programa passou a combinar atividades remotas com uma base física regional. O formato on-line ampliou o alcance entre municípios distantes; o acesso presencial ao LabMaker e, posteriormente, ao Centro de Inovação preservou aquilo que não pode ser virtualizado: prototipagem, testes, uso de equipamentos e apoio técnico. O arranjo híbrido, portanto, não foi apenas uma escolha de conveniência, mas uma resposta ao custo de deslocamento e à dispersão territorial.
Em 2024, nasceu o SerTão Inovador Powered by InovAtiva. A edição, executada pelas incubadoras ISA e Sertão Maker do IFSertãoPE, combinou 11 semanas de capacitação, mentorias individuais, networking e apresentação final. Foram selecionados 25 projetos e, segundo o relatório institucional, 25 participantes foram impactados e 13 startups foram criadas ou desenvolvidas.
Figura 5 - Identidade do programa SerTão Inovador. | Figura 6 - Divulgação do lançamento Powered by InovAtiva, 2024.
Transcrição da figura
Conteúdo de imagem. SER TÃO
INOVADOR
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Conteúdo de imagem. ifsertaope
SERTÃO INOVADOR
powered by INOVATIVA
EVENTO DE
LANÇAMENTO
09 DE SETEMBRO
ÀS 14H PELO YOUTUBE
[QR code]
APOIO
INCUBADORA SERTÃO MAKER
cesar aws
FACEPE
Sudene
MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO E DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL
GOVERNO FEDERAL BRASIL UNIÃO E RECONSTRUÇÃO
APOIO METODOLÓGICO
WADHWANI FOUNDATION
SUPORTE À EXECUÇÃO
certi
REALIZAÇÃO E EXECUÇÃO
INSTITUTO FEDERAL Sertão Pernambucano
ISA INCUBADORA DO SEMIÁRIDO
REALIZAÇÃO
SEBRAE
MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS
GOVERNO FEDERAL BRASIL UNIÃO E RECONSTRUÇÃO
ifsertaope 🎉 Participe do evento de lançamento do SerTão Inovador powered by InovAtiva! 🚀
Estamos prontos para dar o pontapé inicial em um dos programas mais transformadores para startups em Pernambuco! Venha conhecer tudo sobre o SerTão Inovador, que vai conectar ideias inovadoras a oportunidades de crescimento em todo o estado.
📅 Data: 09 de Setembro 📍 Local: Online pelo YouTube
Além de conhecer o programa, você poderá se inscrever para participar do SerTão Inovador, que selecionará até 25 projetos inovadores em fases de criação, ideação ou validação. As inscrições estarão abertas até o dia 14/09, e o processo é totalmente gratuito! Não perca essa chance de transformar sua ideia em realidade.
🔗 Participe: https://www.youtube.com/live/Fle-H8IHPoM Vamos juntos impulsionar a inovação em Pernambuco! 💡 #SerTãoInovadorpoweredbyinovAtiva #Inovação #Empreendedorismo #Startups #Pernambuco #InovAtiva #Lançamento #InscriçõesAbertas
@inovativahub @mdicoficial @sebrae @fundacaocerti @wfbrasil @facepe_oficial @sudene @midregional @inovacaocesar
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5 de setembro de 2024
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Publicar O ganho metodológico foi estruturar uma jornada completa, mas também criar critérios de passagem entre suas etapas: ideação e validação na pré-incubação; desenvolvimento de modelo de negócio e produto; incubação; acesso à infraestrutura; conexão com mentores, mercado e fontes de financiamento. Paralelamente, iniciou-se a implantação de práticas do CERNE 1 e 2 para profissionalizar processos, registros e acompanhamento. O CERNE ajudou a organizar a incubadora; a experiência local definiu em que momento cada empreendimento deveria entrar nela.
Da referência nacional à adaptação local A primeira edição do SerTão Inovador, em 2024, utilizou a metodologia Powered by InovAtiva ao longo de 11 semanas. O currículo percorreu apresentação do negócio, criação do produto e proposta de valor, concorrência e testes, validações de mercado, entrega de valor, aquisição de clientes e canais de crescimento, modelo de negócio, finanças e métricas e capacidade de investimento. Quatro marcos de entrega, sessões de mentoria e um Demoday organizavam a progressão das equipes (INOVATIVA; IFSERTÃOPE, 2024).
A aplicação mostrou onde as equipes locais encontravam maior dificuldade. Em muitos casos, o problema não era aperfeiçoar uma startup já pronta para crescer, mas transformar uma ideia técnica em hipótese testável de negócio. Por isso, o trabalho passou a dar mais peso à definição do problema, contato com clientes, validação de requisitos, proposta de valor e organização da equipe antes de aprofundar temas de escala. Mentoria deixou de funcionar apenas como aconselhamento de crescimento e passou a apoiar também a passagem da lógica de projeto para a lógica de empreendimento.
Na edição de 2026, esse aprendizado aparece formalizado: o regulamento passa a definir como público-alvo projetos em ideação ou validação, exige atividades de validação de problema e requisitos com clientes, incorpora diagnóstico de maturidade como condição para ingresso na incubação e prevê acompanhamento posterior. As capacitações e mentorias permanecem preferencialmente remotas, com possibilidade de momentos presenciais (IFSERTÃOPE, 2026). O que começou como adaptação operacional tornou-se um desenho metodológico explícito.
| Referência | O que foi incorporado | O que foi adaptado ou não reproduzido |
|---|---|---|
| InovAtiva / Wadhwani | Jornada estruturada, labs, mentorias, marcos e Demoday. | Maior ênfase nas etapas anteriores à tração; programa tratado como pré-incubação e porta de entrada para incubação. |
| Catalisa ICT | Ideia de aproximar pesquisa e tecnologia de validação, mercado e empreendedorismo. | Aplicação também a projetos estudantis e soluções locais, não apenas a ativos científicos com perfil de deep tech. |
| Conecta Startup Brasil | Partir de problemas concretos e conectar demanda a quem pode desenvolver soluções. | Desafios não limitados a grandes corporações: poder público, produtores, organizações e comunidades também podem originar problemas. |
| CERNE | Processos, acompanhamento, registros e melhoria contínua da incubadora. | Usado para profissionalizar a operação; não como receita para o desenho do ecossistema territorial. |
A lógica adotada foi usar referências externas para aumentar a capacidade de decisão local. Metodologia, neste caso, não significou reprodução.
Escala regional A infraestrutura de inovação deixou de atender apenas Salgueiro.
40 / pré-incubados em 2026 / dados internos | 26 / incubados atualmente / dados internos | 13 / cidades alcançadas / dados internos Em fevereiro de 2025, a FACEPE aprovou R$ 210 mil para o projeto “SerTão Inovador: Jornadas de Empreendedorismo e Inovação”, no Pró-Startups Incubadoras, fortalecendo a capacidade de executar novas jornadas e consolidar processos.
5. CENTRO DE INOVAÇÃO MAKER
Quando o laboratório deixou de ser suficiente O crescimento das atividades gerou um novo gargalo: a infraestrutura original não conseguia atender, simultaneamente, as necessidades de desenvolvimento de software, eletrônica, IoT, fabricação digital, reuniões, criação de conteúdo e operação das startups. A resposta não foi simplesmente “construir um prédio maior”. Foi pensar uma plataforma tecnológica compartilhada para reduzir o custo de experimentar e empreender no interior.
Figura 7 - Área antes da construção do Centro de Inovação. | Figura 8 - Modelo 3D do Centro produzido no próprio LabMaker.
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Conteúdo de imagem. 小心烫伤 Caution Hot
em teste.max - Autodesk 3ds Max 2022
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AutoGrid
Box Cone Sphere GeoSphere Cylinder Tube Torus Pyramid Teapot Plane
Name and Color
Reprodução do modelo do Projeto com auxílio de impressora 3D Em 2023, o IFSertãoPE formalizou processo de contratação para construção do Centro de Inovação Maker, Empreendedorismo e Tecnologia - CIMET - no Campus Salgueiro. Em janeiro de 2024, o campus anunciou o empreendimento como o primeiro Centro de Inovação e Cultura Maker do Sertão, prevendo espaços para a Incubadora Sertão Maker, reuniões, podcast, Internet das Coisas e Tecnologias do Futuro.
| Antes de existir fisicamente, o Centro foi modelado e prototipado dentro do laboratório que lhe deu origem - um símbolo da própria lógica maker: imaginar, prototipar, testar e construir.
Figura 9 - Centro de Inovação Maker em Salgueiro: área externa e ambientes internos.
5.1. INFRAESTRUTURA COMO PLATAFORMA DE P&D
O valor do Centro está naquilo que ele torna possível Hoje, o Centro reúne ambientes complementares para desenvolvimento de software com computadores de alto desempenho, prototipagem e desenvolvimento de hardware, produção de pequenos lotes e experimentação com tecnologias emergentes, estúdio de podcast e conteúdo, coworking e sala de reunião. O objetivo é permitir que uma startup transite entre diferentes necessidades sem precisar internalizar, desde o início, toda a infraestrutura tecnológica.
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Conteúdo de imagem. INCUBADORA
SERTÃO MAKER
CIM
CENTRO DE INOVAÇÃO, TECNOLOGIA,
EMPREENDEDORISMO E CULTURA MAKER
DO SERTÃO PERNAMBUCANO
INSTITUTO FEDERAL
Sertão Pernambucano Campus Salgueiro
DELL
Mostrar área de trabalho Figura 10 - Ambiente de desenvolvimento de software e operação da Incubadora Sertão Maker no CIM.
Essa infraestrutura reduz uma barreira típica dos ecossistemas do interior: o custo de acesso. Uma equipe pode desenvolver software, testar sensores e placas, fabricar peças, prototipar gabinetes, reunir-se com mentores e produzir material de apresentação dentro do mesmo ambiente de inovação.
Reconhecimento da capacidade tecnológica Em fevereiro de 2024, o Comitê da Área de Tecnologia da Informação (CATI/MCTI) credenciou o IFSertãoPE, unidade Centro de Inovação Maker, para executar atividades de pesquisa e desenvolvimento nos termos da Lei nº 8.248/1991. O credenciamento tinha validade de dois anos a partir da publicação e representa um marco histórico de reconhecimento formal da capacidade de P&D da unidade.
| O CIM não deve ser apresentado no case apenas como infraestrutura física. Ele é o elo entre pesquisa aplicada, prototipagem, incubação e desenvolvimento tecnológico empresarial.
6. A VALIDAÇÃO COMEÇA A VIR DE FORA
Quando o ecossistema passa a competir além de suas próprias fronteiras O amadurecimento de um ecossistema não pode ser medido apenas pela quantidade de eventos, cursos ou pessoas capacitadas. Um sinal importante é a capacidade de seus projetos disputar recursos, reconhecimento e mercado em ambientes externos.
~R$ 1 mi / captações das startups / dados internos, 2025-2026 | 2º lugar / BeeCasa no Centelha 3 PE / classificação da Fase 2, 2026 | R$ 210 mil / SerTão Inovador - FACEPE / Pró-Startups Incubadoras, 2025 A BeeCasa sintetiza essa trajetória. Um projeto que combina fabricação digital, apicultura, polinização e monitoramento inteligente apareceu entre as iniciativas do ambiente local e, em 2026, alcançou o 2º lugar na classificação geral dos 47 projetos aprovados na Fase 2 do Programa Centelha 3 Pernambuco.
Entre 2025 e 2026, as startups acompanhadas reportaram aproximadamente R$ 1 milhão em captações. Esse indicador é acompanhado por startup, programa, valor e ano e deve ser interpretado como evidência de acesso a instrumentos de fomento e financiamento, não como substituto de métricas de receita, permanência no mercado ou sustentabilidade dos negócios.
| Mais importante que um prêmio isolado é a mudança de capacidade: projetos nascidos no Sertão passaram a acessar instrumentos de fomento e competir em chamadas estaduais e nacionais.
7. A BASE DO PIPELINE COMEÇA ANTES DA STARTUP
Da incubadora para a escola pública Um ecossistema sustentável precisa aumentar continuamente sua base de pessoas capazes de criar. Por isso, a expansão da cultura maker para a educação básica tornou-se outra camada estratégica.
Em fevereiro de 2025, o programa Mais Ciência na Escola - Nó Sertão Central anunciou a implantação de laboratórios maker em oito escolas municipais de Salgueiro, incluindo escolas urbanas, rurais e unidades em comunidades tradicionais. Cada escola receberia cerca de R$ 100 mil em infraestrutura, com impressoras 3D, kits de robótica, notebooks e cortadoras a laser.
8 / escolas municipais / Salgueiro | ~R$ 100 mil / por laboratório maker / valor informado por escola | ~R$ 800 mil / infraestrutura na rede / estimativa agregada Esse movimento amplia a perspectiva temporal do ecossistema. O estudante que experimenta robótica e fabricação digital na escola pode, anos depois, participar de projetos no IFSertãoPE, ingressar em um hackathon, validar uma ideia no SerTão Inovador e criar um negócio na incubadora.
| O pipeline deixa de começar na incubadora. Ele começa na formação de pessoas capazes de imaginar e construir soluções.
8. INOVA SALGUEIRO
Da infraestrutura à governança: quando a inovação vira agenda da cidade Mesmo com laboratórios, startups, programas, infraestrutura tecnológica e recursos de fomento, uma limitação continuava evidente: nenhuma instituição cria sozinha um ecossistema. Para que a transformação ganhasse escala territorial e continuidade, o passo seguinte precisava ser de governança, articulação e construção de uma agenda compartilhada.
Transcrição da figura
Conteúdo de imagem. INOVA
SALGUEIRO
NÚCLEO DE INOVAÇÃO
MEMORIAL DO COURO
Figura 11 - Identidade visual do Inova Salgueiro, movimento de articulação do ecossistema local de inovação.
A partir de 2025, atores locais começaram a estruturar um movimento coordenador do Ecossistema Local de Inovação. A articulação culminou no lançamento público do Inova Salgueiro em 27 de março de 2026, com o propósito de conectar talentos, território e oportunidades e aproximar poder público, instituições de ensino e pesquisa, empresas, startups, organizações de apoio e sociedade civil.
| O Inova Salgueiro marca uma mudança de escala: de projetos de inovação executados por instituições para uma agenda de inovação construída pelo território.
Uma nova infraestrutura - feita de coordenação O Inova Salgueiro representa a transição entre “ter ativos de inovação” e “funcionar como ecossistema”. O problema deixa de ser apenas “como o IFSertãoPE pode estimular inovação?” e passa a ser “como Salgueiro pode coordenar seus ativos, competências e investimentos para inovar continuamente?”. Essa diferença é fundamental: laboratórios, incubadoras, universidades, empresas, políticas públicas e programas deixam de ser vistos apenas como iniciativas independentes e passam a compor uma mesma arquitetura territorial.
As hélices ajudam a enxergar os atores; não explicam sozinhas a sequência A Hélice Tríplice descreve a interação entre universidade, empresas e governo como parte da dinâmica de inovação (ETZKOWITZ; LEYDESDORFF, 2000). Abordagens de Hélice Quádrupla acrescentam sociedade civil, usuários e comunidades à governança regional (HÖGLUND; LINTON, 2018). O Inova Salgueiro se aproxima dessa segunda leitura ao reunir instituições de ensino e pesquisa, poder público, empresas e startups, organizações de apoio e sociedade civil.
O case, porém, não propõe uma “nova hélice”. Sua contribuição está em outro nível: mostrar como um território de baixa densidade empreendedora pode construir condições para que essas relações passem a produzir resultados. Primeiro surgiram capacidades técnicas e de formação; depois mecanismos de geração e amadurecimento de negócios; em seguida infraestrutura compartilhada; e, quando os ativos se multiplicaram, tornou-se necessário criar coordenação territorial. O modelo de hélices explica quem precisa interagir; a trajetória de Salgueiro ajuda a discutir em que sequência certas capacidades precisaram ser construídas.
Também há uma diferença de escala em relação ao CERNE. O CERNE organiza a gestão e os processos da incubadora, aumentando a capacidade de gerar empreendimentos de forma sistemática. O Inova Salgueiro atua além da incubadora, coordenando agendas, laboratórios, instituições, políticas públicas, capital e projetos do território. Os dois níveis são complementares, não concorrentes.
O movimento atua como espaço de articulação, não como substituto das instituições existentes. Sua função é aproximar desafios e oportunidades, conectar quem possui conhecimento e infraestrutura a quem precisa deles, organizar prioridades e criar condições para projetos colaborativos. A lógica é simples: identificar desafios, conectar atores, construir respostas conjuntas, mobilizar recursos e acompanhar resultados.
Governança organizada por frentes de trabalho Para transformar articulação em execução, o Inova Salgueiro estrutura sua atuação por grupos de trabalho que cobrem dimensões essenciais do ecossistema. A organização permite distribuir responsabilidades e transformar temas amplos em entregas concretas.
| Governança / regras, prioridades, indicadores, continuidade e acompanhamento do movimento | Programas e Ações / articulação de iniciativas, agenda integrada e redução de sobreposição de esforços |
|---|---|
| Ambientes de Inovação / mapeamento e conexão de laboratórios, incubadoras, coworkings e espaços de inovação | ICTIs / aproximação entre instituições científicas e tecnológicas, pesquisa aplicada e transferência de conhecimento |
| Políticas Públicas / instrumentos municipais, ambiente regulatório e políticas de incentivo à inovação | Capital / mapeamento de editais, fontes de fomento, investimento e mecanismos de acesso a recursos |
Essa organização amplia a sustentabilidade do ecossistema porque distribui a agenda entre diferentes atores. Em vez de depender exclusivamente de um laboratório, de um programa ou de uma gestão, o território começa a desenvolver mecanismos para preservar memória, coordenar iniciativas, estabelecer metas comuns e produzir continuidade.
Do ativo isolado ao sistema territorial
1. ATIVOS / laboratórios, projetos, pesquisadores e iniciativas institucionais | 2. PIPELINE / pré-incubação, incubação, infraestrutura e acesso a fomento | 3. GOVERNANÇA / coordenação entre governo, academia, empresas e sociedade
| A pergunta central mudou: de “como criar startups?” para “como criar as condições para que Salgueiro produza inovação continuamente?”.
9. O QUE MUDOU EM CINCO ANOS
De ambiente experimental a infraestrutura regional de inovação
| Dimensão | Ponto de partida | Situação atual / capacidade criada |
|---|---|---|
| Infraestrutura | sala compartilhada e primeiras impressoras 3D | LabMaker consolidado + Centro de Inovação Maker |
| Empreendedorismo | sem pipeline estruturado de pré-incubação e incubação | jornada de ideação, pré-incubação, incubação e conexão |
| Alcance | ações concentradas no campus e no município | atendimento a empreendedores de cerca de 13 municípios |
| Captação | dependência de investimentos institucionais | startups reportam ~R$ 1 mi em captações 2025-2026 |
| Educação maker | ações pontuais e laboratório centralizado | oito escolas municipais contempladas com laboratórios maker |
| Governança | parcerias e iniciativas por projeto | Inova Salgueiro como articulação territorial permanente |
O objetivo do quadro não é sugerir que o ecossistema esteja concluído. Ao contrário: os resultados mostram que Salgueiro saiu da fase de criação de ativos isolados e entrou na fase de integração, profissionalização e escala desses ativos.
2021 / início do LabMaker / investimento inicial de R$ 82 mil | 2026 / CIM + governança / infraestrutura e articulação territorial | 5 anos / ciclo de transformação / capacidade construída por etapas
10. REPLICABILIDADE
O “Modelo Salgueiro” não é uma receita - é uma lógica de construção Seria contraditório terminar este case propondo uma fórmula universal. O que pode ser replicado por outros territórios não é a configuração exata de Salgueiro, mas a lógica de observar gargalos, testar respostas e construir capacidades na ordem exigida pela realidade local. Essa leitura é coerente com abordagens place-based de inovação: políticas e ecossistemas precisam partir das condições específicas da região, sobretudo em territórios periféricos, onde atores, recursos e conexões são menos densos (TÖDTLING; TRIPPL, 2005; XU; DOBSON, 2019; MESQUITA; FERNANDES, 2026).
| 1 FORMAR / desenvolver competências técnicas e empreendedoras | 2 EXPERIMENTAR / dar acesso a ferramentas e ambientes de prototipagem |
|---|---|
| 3 PROBLEMATIZAR / transformar desafios locais em oportunidades de inovação | 4 PRÉ-INCUBAR / validar problema, solução, equipe e modelo de negócio |
| 5 INCUBAR / acompanhar produto, gestão, mercado, tecnologia e escala | 6 CONECTAR / aproximar capital, parceiros, mentores, clientes e políticas públicas |
| 7 COMPARTILHAR INFRA / reduzir o custo de P&D e experimentação tecnológica | 8 GOVERNAR / criar coordenação territorial e continuidade institucional |
Princípio-chave: construir a próxima capacidade A trajetória não foi linear nem inteiramente prevista no início. O laboratório revelou a necessidade de formação; a formação gerou projetos; os projetos exigiram incubação; a primeira incubação revelou que o pipeline era insuficiente; a pré-incubação ampliou a base; o crescimento das equipes exigiu infraestrutura; a maturidade dos negócios aumentou a demanda por capital e conexões; e a multiplicação das iniciativas tornou a governança territorial indispensável. A sequência é parte do resultado do case, não apenas uma cronologia.
O princípio transferível: quando deslocar esforço para a pré-incubação A decisão de “voltar uma etapa” pode ser formulada como uma regra de desenho transferível. Não se trata de um limite numérico universal, mas de sinais observáveis. Quando esses sinais aparecem de forma recorrente, a organização deve considerar reduzir temporariamente a ênfase em incubação e investir na formação do topo do funil.
| Sinal observado | O que ele indica | Resposta de desenho |
|---|---|---|
| Vagas de incubação acima do número de candidatos realmente maduros | O problema está antes da seleção, não na capacidade física da incubadora. | Reduzir novos ciclos e ampliar ideação, pré-incubação e prospecção. |
| Maioria das equipes ainda validando problema, cliente ou proposta de valor | A demanda é de pré-incubação, mesmo que os participantes usem a palavra “startup”. | Criar uma etapa anterior com entregas e critérios de maturidade. |
| Mentorias de incubação consumidas repetidamente com fundamentos básicos | O currículo está entrando tarde demais no desenvolvimento do empreendimento. | Mover validação de problema, mercado, equipe e modelo para o início da jornada. |
| Distância e custo de deslocamento limitam participação regional | Um programa exclusivamente presencial reduz a base potencial do ecossistema. | Usar atividades remotas para formação e mentoria e reservar a base física para prototipagem e interação que exigem presença. |
| Infraestrutura disponível, mas pipeline irregular | Ativos físicos, sozinhos, não geram fluxo de empreendimentos. | Tratar infraestrutura e formação como partes do mesmo sistema de geração de negócios. |
Esses critérios são derivados da experiência de Salgueiro e servem como heurística de decisão; não pretendem substituir diagnósticos próprios de cada território.
O que é original - e o que não é Labmakers, incubadoras, pré-incubação, centros de inovação, CERNE e movimentos locais de ecossistema são práticas conhecidas. A originalidade do case não depende de apresentar esses componentes como inéditos. Ela aparece na maneira como foram combinados e, principalmente, na decisão de alterar a sequência quando a realidade mostrou que o próximo passo planejado ainda não tinha base suficiente.
| Nível | O que Salgueiro apresenta | Como o case posiciona a contribuição |
|---|---|---|
| Inovação local | LabMaker, pré-incubação, incubadora, CIM e governança ampliaram capacidades antes inexistentes ou pouco estruturadas no território. | É transformação relevante para Salgueiro, mas não é apresentada como novidade perante a literatura. |
| Inovação organizacional | Integração entre formação maker, geração de projetos, pré-incubação, incubação, P&D compartilhado e governança; operação híbrida para atender vários municípios. | O diferencial está no arranjo e na coordenação entre capacidades que normalmente podem operar separadas. |
| Contribuição distintiva do case | Uso da maturidade do pipeline como sinal para interromper a expansão da incubação, investir cerca de 18 meses na pré-incubação e só então retomar a sequência; combinação remoto + base física regional. | É o aprendizado que o case propõe como transferível para territórios de baixa densidade empreendedora. |
Assim, a novidade reivindicada aqui é uma lógica de sequenciamento e decisão situada - não a invenção isolada de um novo tipo de incubadora ou ecossistema.
Contraste com outras experiências da Rede Federal A comparação com outras instituições ajuda a delimitar essa contribuição. A Rede Federal já possui experiências maduras de pré-incubação, redes de incubadoras, laboratórios maker e uso do CERNE. Isso reduz qualquer pretensão de novidade nos componentes e torna mais claro o que Salgueiro acrescenta como aprendizagem de processo.
| Experiência | Elementos comparáveis | Contraste relevante com Salgueiro |
|---|---|---|
| IFRN | Rede de incubadoras, Hotel de Projetos desde 2016, programas de pré-incubação, laboratórios de prototipagem e incubadora com certificação CERNE. | Mostra que pré-incubação e integração com maker não são exclusivas. Em Salgueiro, o destaque está no pivô provocado pela insuficiência do pipeline e na construção recente da sequência em território menos denso. |
| IFCE | Rede institucional de incubadoras em vários campi, pré-incubação formal e uso compartilhado de laboratórios e infraestrutura. | O IFCE parte de uma rede multicampi já institucionalizada. O caso de Salgueiro descreve a construção incremental a partir de um campus e sua expansão para uma função regional. |
| IFPB | Programa Inovai estabelece diretrizes institucionais para implantação, fortalecimento e integração de incubadoras nos campi. | O contraste evidencia duas rotas: institucionalização em rede e, em Salgueiro, emergência local seguida de articulação territorial e posterior profissionalização. |
| Salgueiro / IFSertãoPE | Maker + pré-incubação + incubação + P&D compartilhado + governança territorial; atividades remotas conectadas a infraestrutura física regional. | Contribuição: sequência orientada por gargalos, regra de pivô baseada na maturidade da demanda e desenho híbrido para ampliar alcance sem perder capacidade de prototipagem. |
A comparação não pretende hierarquizar experiências. Ela serve para delimitar o argumento: Salgueiro não é distinto porque possui uma incubadora ou um laboratório maker, mas pela forma como reorganizou a jornada diante de um gargalo de formação de empreendimentos e conectou essa jornada a uma infraestrutura física regional e a uma governança territorial.
| Ecossistemas não se copiam. Ecossistemas se cultivam - capacidade por capacidade, conexão por conexão.
Como outros territórios podem aproveitar essa experiência Seria contraditório terminar esta história propondo uma fórmula universal. O que pode ser aproveitado por outras instituições é a maneira de identificar necessidades, testar respostas e ampliar a estrutura conforme o trabalho amadurece. Em Salgueiro, a combinação entre formação, experimentação, pré-incubação e infraestrutura compartilhada surgiu de decisões tomadas diante de problemas concretos.
O primeiro aprendizado é começar com uma responsabilidade definida. Um espaço acessível e algumas ferramentas podem permitir os primeiros projetos, mas é necessário saber quem coordena o uso, orienta as equipes e acompanha sua continuidade. O investimento inicial de R$ 82 mil é um marco do nosso percurso, não um orçamento universal de implantação. Custos, equipe disponível e infraestrutura de partida variam entre instituições.
O segundo aprendizado é observar em que estágio estão as pessoas que chegam e aceitar que a resposta pode exigir mudar a própria sequência planejada. Quando a maioria das equipes ainda está definindo problema, cliente, proposta de valor e composição do time, um edital de incubação encontra uma demanda diferente daquela para a qual foi desenhado. Em Salgueiro, esse sinal levou à priorização temporária da pré-incubação. O princípio transferível é simples: não usar a etapa seguinte para compensar lacunas que deveriam ter sido tratadas na etapa anterior.
| Situação encontrada | Decisão em Salgueiro | Aprendizado transferível |
|---|---|---|
| Pouco espaço para experimentar | Começar em sala compartilhada e organizar o laboratório | Mobilizar recursos existentes e uma equipe responsável |
| Poucas equipes maduras | Priorizar a pré-incubação | Ajustar o apoio ao estágio dos empreendimentos |
| Distâncias entre cidades | Atividades on-line com apoio físico regional | Combinar alcance remoto com acesso às ferramentas |
| Novas demandas técnicas | Planejar o Centro de Inovação Maker | Ampliar infraestrutura conforme o uso e as necessidades |
| Iniciativas de várias instituições | Articular o Inova Salgueiro | Definir responsabilidades e acompanhar a agenda comum |
Síntese dos aprendizados do caso. As decisões devem ser adaptadas à equipe, à demanda e aos recursos de cada território.
O terceiro aprendizado é ampliar a infraestrutura a partir de sua utilização. O planejamento do Centro de Inovação ganhou sentido porque já conhecíamos demandas dos projetos. Outro território pode começar utilizando espaços existentes e mobilizando parceiros, antes de construir um ambiente completo. É preciso considerar também o esforço de operação, manutenção e orientação que acompanha cada novo recurso disponibilizado.
O quarto é definir como a rede vai funcionar. Parcerias ajudam quando complementam competências e têm um propósito claro: formação, mentorias, acesso a mercado, fomento ou execução de projetos. Conforme surgem mais iniciativas, a coordenação territorial ganha importância para aproximar agendas e distribuir responsabilidades. A criação do Inova Salgueiro responde a essa necessidade na nossa trajetória.
Por fim, acompanhar resultados desde o início facilita a tomada de decisão. Uma instituição que adote esse caminho deve distinguir participantes, empreendimentos únicos, atendimentos recorrentes e negócios ativos. Também precisa separar investimento no ambiente, recursos de operação do programa e captação das startups. Essa organização permite avaliar o que cada frente está entregando sem confundir volume de atividade com consolidação dos negócios.
O estágio atual e os próximos desafios O caso de Salgueiro já ultrapassou a fase de proposta. Há infraestrutura em uso, programas executados, startups acompanhadas, alcance regional e resultados de captação e reconhecimento externo. Ao mesmo tempo, as frentes têm graus diferentes de maturidade: o laboratório e a incubação têm uma trajetória mais longa, enquanto a articulação do Inova Salgueiro está em consolidação.
Essa distinção ajuda a avaliar o esforço inovador. O resultado central até aqui é a construção de uma capacidade local de apoiar pessoas e empreendimentos em diferentes momentos de desenvolvimento. Hoje, uma equipe pode encontrar formação, ferramentas, pré-incubação, acompanhamento e conexões em uma jornada que não existia de forma estruturada quando começamos. Essa mudança é observável, mesmo que seus efeitos econômicos de longo prazo ainda não estejam inteiramente medidos.
O próximo desafio é consolidar o acompanhamento dos negócios. Precisamos observar sua permanência em atividade, o avanço das soluções e as relações com clientes e parceiros. Os mais de 200 empreendimentos atendidos indicam alcance acumulado; o desenvolvimento posterior de cada um exige outras medidas. A captação em editais e as classificações em programas externos são evidências relevantes, mas não substituem a avaliação de sustentabilidade no mercado.
Na gestão, o trabalho continua com a preparação para a certificação CERNE, a organização dos registros e o fortalecimento das conexões com empresas e fontes de financiamento. Na governança territorial, a prioridade é dar continuidade às articulações, identificar projetos comuns e acompanhar o que cada parceiro assume. A permanência do esforço depende tanto de recursos quanto de pessoas com tempo e responsabilidade para conduzi-lo.
Também é importante reconhecer a participação dos empreendedores e das instituições parceiras. Os resultados não podem ser atribuídos exclusivamente ao IFSertãoPE ou à incubadora. Programas de fomento têm critérios próprios, as startups constroem suas soluções e redes, e outras organizações contribuem ao longo do caminho. Nosso papel foi criar condições locais de formação, experimentação e acompanhamento para ampliar as possibilidades de participação dessas equipes.
Quando lembramos da sala compartilhada e dos estudantes interrompendo seus projetos para dar lugar às aulas, percebemos o quanto o ambiente mudou. A infraestrutura cresceu, os programas foram revistos e mais pessoas passaram a encontrar apoio para tentar. O que chamamos, no início, de uma pequena revolução empreendedora continua acontecendo, com dificuldades e aprendizados que ainda exigem nossa atenção.
Essa trajetória nos ensinou que sonhos importam quando vêm acompanhados de estratégia e trabalho. Respeitar as particularidades do território não diminuiu nossa ambição; ajudou a escolher por onde começar e quando mudar de direção. A contribuição de Salgueiro para a discussão sobre inovação é essa experiência de construção: criar oportunidades a partir das pessoas e dos recursos locais, aproximar parceiros e continuar aprendendo com o que acontece na prática.
CONCLUSÃO
Inovação também pode nascer e permanecer no interior A história começou com algumas impressoras 3D em uma sala que precisava ser compartilhada com aulas. Cinco anos depois, o mesmo território reúne laboratório maker, programa estruturado de pré-incubação, incubadora, Centro de Inovação, infraestrutura de software e hardware, programas de formação, projetos reconhecidos externamente, acesso a fomento e uma articulação de governança territorial.
Salgueiro ainda está construindo seu ecossistema. Isso é parte da força do case: ele não descreve um destino concluído, mas um processo vivo de criação de capacidade em uma cidade do Sertão. Laboratórios maker, incubadoras, pré-incubação, centros de inovação e articulações de ecossistema não são, isoladamente, novidades. O aprendizado distinto está na leitura situada que reorganizou a sequência quando o pipeline mostrou baixa maturidade, na combinação de alcance remoto com infraestrutura física regional e na integração progressiva entre formação, empreendedorismo, P&D e governança territorial.
O principal resultado não é apenas o número de startups. É a existência de um caminho mais coerente com o estágio de quem chega: uma pessoa com uma ideia pode encontrar formação, validar o problema, testar a solução, acessar ferramentas e infraestrutura, receber mentoria e, somente quando houver maturidade suficiente, avançar para incubação, mercado, financiamento e conexões. A contribuição do “Modelo Salgueiro” está menos em oferecer todos esses elementos e mais em aprender a colocá-los na ordem exigida pelo território.
| Uma cidade não precisa começar com um ecossistema. Precisa começar criando as condições para que ele possa surgir, aprender e continuar evoluindo.
Para Salgueiro, o próximo desafio já está claro: consolidar métricas de impacto, ampliar conexões com empresas e investidores, aumentar a sustentabilidade das startups, fortalecer a governança e transformar o aprendizado acumulado em política de desenvolvimento de longo prazo para o Sertão.
FONTES, EVIDÊNCIAS E REFERÊNCIAS
Fontes e documentais utilizadas no case
- IBGE - Estimativas da População 2025. População estimada dos municípios brasileiros em 1º de julho de 2025. Acessar fonte
- IFSertãoPE - Campus Salgueiro completa 12 anos. Registra início do LabMaker em 2021, investimento inicial de R$ 82 mil e mais de R$ 570 mil já investidos em 2022. Acessar fonte
- Edital - Programa de Geração de Startups para o Sertão Central 2023. Documenta a estrutura do LabMaker, seleção de até 15 empreendimentos e rede institucional de apoio. Acessar fonte
- IFSertãoPE - SerTão Inovador Powered by InovAtiva. Registra até 25 projetos selecionados e a estrutura do programa. Acessar fonte
- Relatório institucional do IFSertãoPE 2024. Registra 25 participantes impactados e 13 startups criadas/desenvolvidas no SerTão Inovador. Acessar fonte
- FACEPE - Pró-Startups Incubadoras. Resultado final com R$ 210 mil para “SerTão Inovador: Jornadas de Empreendedorismo e Inovação”. Acessar fonte
- IFSertãoPE - Centro de Inovação do Sertão. Anúncio do Centro de Inovação e Cultura Maker, ambientes planejados e início da implantação. Acessar fonte
- Diário Oficial da União - CATI/MCTI, fevereiro de 2024. Credenciamento do IFSertãoPE, unidade Centro de Inovação Maker, para atividades de P&D nos termos da Lei nº 8.248/1991. Acessar fonte
- Prefeitura de Salgueiro - Mais Ciência na Escola. Oito escolas municipais, aproximadamente R$ 100 mil por escola e equipamentos previstos. Acessar fonte
- Inova Salgueiro - site institucional. Apresenta o movimento, seus objetivos, estrutura de governança e frentes/grupos de trabalho. Acessar fonte
- Prefeitura de Salgueiro - Inova Salgueiro. Lançamento em 27 de março de 2026, lema e composição multissetorial. Acessar fonte
- FACEPE - Centelha 3 Pernambuco. BeeCasa em 2º lugar na classificação geral dos 47 projetos aprovados na Fase 2, em 2026. Acessar fonte
Fontes comparativas e metodológicas
- InovAtiva / IFSertãoPE - Regulamento nº 68/2024 do SerTão Inovador Powered by InovAtiva. Descreve as 11 semanas de capacitação, os dez laboratórios de aprendizagem, quatro marcos, mentorias e Demoday.
- IFSertãoPE - Edital nº 45/2026, Programa Sertão Inovador - Pré-Incubação. Formaliza público em ideação/validação, validação de problema e requisitos com clientes, diagnóstico de maturidade, mentorias e acompanhamento pós-programa.
- IFRN - Incubadoras Tecnológicas / Programa de Multi-incubação Tecnológica. Registra rede institucional de incubadoras, Hotel de Projetos, infraestrutura, suporte e empresas graduadas. Atualização de 2026.
- IFRN Campus Natal-Central - Empreendedorismo. Documenta integração entre Hotel de Ideias, pré-incubação, incubação, CNATMaker e certificação CERNE da ITNC.
- IFCE - Incubadoras. Apresenta a rede de incubadoras em diferentes campi, serviços de orientação, laboratórios compartilhados e infraestrutura; páginas institucionais de 2025.
- IFPB - Programa Institucional de Incubação de Empresas (Inovai). Atualização aprovada em 2026 para implantação, fortalecimento e integração de incubadoras nos campi.
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Como citar
SANTOS, Marcelo Anderson Batista Dos. Da sala de aula ao ecossistema: Como Salgueiro construiu um pipeline de inovação no Sertão de Pernambuco. Crivum, 2026. Disponível em: https://crivum.org/p/3du16v9v.
Santos, M. A. B. (2026). Da sala de aula ao ecossistema: Como Salgueiro construiu um pipeline de inovação no Sertão de Pernambuco. Crivum. https://crivum.org/p/3du16v9v
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